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Brasil
17/07/2007 - 14h26

Solicitação de perícia em documentos de Renan terá que passar por Tarso Genro

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A decisão da Mesa Diretora do Senado de aprovar a solicitação de nova perícia nos documentos apresentados pela defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) terá que passar pelo crivo do ministro Tarso Genro (Justiça). A Mesa decidiu esta tarde encaminhar o requerimento do Conselho de Ética com o pedido da nova perícia ao ministério, ao invés de remetê-lo diretamente à Polícia Federal.

Caberá ao próprio ministro decidir quando enviará o pedido à PF. O presidente em exercício da Mesa Diretora do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que a passagem pelo ministério se trata apenas de uma formalidade técnica --e não uma medida protelatória das investigações sobre Renan.

"O entendimento é que toda matéria deve ser encaminhada ao ministro da Justiça. Cabe a ele repassar os procedimentos à PF", argumentou Viana, ao lembrar que as atividades da Polícia Federal são subordinadas ao Ministério da Justiça.

A PF estima que poderá concluir em 20 dias a perícia nos documentos de Renan depois de receber formalmente o requerimento do Conselho de Ética do Senado. Os integrantes da Mesa Diretora vão entregar o requerimento a Tarso Genro formalmente hoje à tarde.

No total, sete integrantes da Mesa Diretora decidiram por unanimidade solicitar a nova perícia nos documentos de Renan. A Folha Online apurou que a reunião foi tranqüila, sem embates entre integrantes do governo e da oposição. Nenhum dos integrantes da Mesa chegou a cogitar a possibilidade de pedir vista ao requerimento para atrasar o início das investigações sobre Renan --possibilidade que chegou a ser especulada como estratégia para retardar as investigações sobre o peemedebista.

"A Mesa tem certeza que agiu com coerência com as suas responsabilidades, com a importância que o tema exige", afirmou Viana.

O senador Magno Malta (PR-ES), que chegou a ser apontado como um dos parlamentares dispostos a pedir vista ao requerimento, negou de forma enfática essa possibilidade. "Isso nunca existiu, nunca ninguém me pediu isso. O entendimento da Mesa Diretora é que esse processo contra o Renan tem que andar", afirmou.

Ausência

Renan se ausentou da reunião da Mesa Diretora por ser o objeto de análise do conjunto de senadores. O presidente do Senado ficou em sua residência oficial ao longo de toda a reunião da Mesa --ao contrário do encontro anterior da Mesa, em que permaneceu em seu gabinete de senador quando os senadores decidiram devolver ao Conselho de Ética o processo contra ele por quebra de decoro parlamentar.

Desta vez, Renan também evitou o contato telefônico com integrantes da Mesa, como o ocorrido na reunião anterior. "Ninguém atendeu celular durante a reunião. Ontem, apenas o senador Renan telefonou para o senador César Borges (DEM-BA)", disse Viana.

A Mesa decidiu manter todos os 30 questionamentos formulados pelo PSOL e pelo próprio Renan a serem respondidos pela PF em meio às investigações. Os integrantes da Mesa afirmaram que o advogado de Renan, Eduardo Ferrão, não solicitou durante a reunião a retirada de parte dos questionamentos --estratégia que estaria sendo articulada para minimizar os efeitos da perícia da PF sobre Renan.

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