Conselho ainda não enviou documentos para PF periciar defesa de Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Polícia Federal só vai iniciar na semana que vem a perícia nos documentos apresentados pela defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O Conselho de Ética do Senado ainda não enviou todos os papéis considerados necessários pela PF para o início da análise. Sem a documentação completa, a PF avalia que a perícia ficaria incompleta e poderia comprometer os resultados dos trabalhos.
Técnicos do conselho estão em Alagoas em busca de documentos complementares de Renan. A Folha Online apurou que, entre os documentos que não foram encaminhados à PF estão GTAs (guia de trânsito animal) que Renan alega possuir para comprovar parte de seus rendimentos com a venda de gado em Alagoas.
O ministro Tarso Genro (Justiça) encaminhou esta semana os documentos de Renan para análise da PF. As investigações sobre o presidente do Senado só serão retomadas pelo conselho depois da conclusão da perícia.
A PF estima que a análise dos documentos vai durar pelo menos 20 dias --por isso os senadores da oposição defendem que a perícia seja concluída durante o período do recesso do Congresso Nacional que termina em 1º de agosto.
Ontem à noite, policiais federais receberam parte dos documentos encaminhados pelo Conselho de Ética, mas desistiram da análise depois que perceberam a ausência de parte da documentação.
A PF teme que, sem ter em mãos todos os documentos mencionados por Renan em sua defesa, não possa responder às 30 perguntas formuladas pelo conselho, PSOL e pelo próprio peemedebista no final da perícia.
Os questionamentos pedem que a PF detalhe, entre outros itens, se as operações da venda do rebanho de Renan em Alagoas ocorreram "efetivamente conforme as suas descrições". O Conselho de Ética também quer esclarecer a evolução patrimonial do senador no período de 2002 a 2006.
Polêmica
A Mesa Diretora do Senado decidiu na semana passada autorizar a perícia nos documentos de Renan depois de solicitação do presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Os senadores enviaram o pedido para o ministro Tarso Genro, a quem a PF é subordinada --que encaminhou um pacote de documentos à PF na última quarta-feira.
Renan responde a processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de usar o lobista da construtora Mendes Júnior, Claudio Gontijo, para pagar despesas pessoais, como aluguel e pensão à jornalista Monica Veloso, com quem Renan tem uma filha.
Para comprovar que tinha recursos suficientes para o pagamento da pensão, Renan apresentou notas fiscais ao Conselho de Ética que apresentaram irregularidades numa perícia prévia da PF.
A nova perícia, no entanto, vai aprofundar a análise sobre a papelada com o objetivo de comprovar a movimentação financeira do senador.
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