População faz fila para se despedir do senador ACM na Bahia
LUIZ FRANCISCO
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Salvador
Horas antes da chegada do corpo do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM) a Salvador (BA), cerca de 500 pessoas já faziam fila nas imediações do Palácio da Aclamação (centro), hoje à tarde, para prestar condolências aos familiares dele.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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Pelo menos 300 policiais militares foram mobilizados para disciplinar as filas e controlar o acesso do público ao palácio.
Motoristas de táxi --categoria que tradicionalmente apoiou o grupo político comandado por ACM-- de quase todas as empresas que rodam em Salvador amarraram fitas pretas às antenas de seus veículos para simbolizar o luto.
"Nunca vi uma pessoa tão identificada com as raízes de sua terra como o senador Antonio Carlos Magalhães", disse Vítor Santana, motorista de táxi há 23 anos.
No Mercado Modelo, uma das principais atrações turísticas de Salvador, os barraqueiros interromperam o atendimento aos clientes e fizeram um minuto de silêncio. Nos bares e restaurantes do Pelourinho, proprietários creditaram a ACM a recuperação do centro histórico de Salvador.
"Foi Antonio Carlos Magalhães, com a sua coragem, quem devolveu este patrimônio histórico à Bahia, ao Brasil e ao mundo", disse o empresário Clarindo Silva, proprietário de um bar e restaurante no Terreiro de Jesus (centro histórico).
| Lucio Tavora/Folha Imagem |
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Muitos moradores e comerciantes do centro histórico também colocaram bandeiras pretas e cartazes nas sacadas e varandas em homenagem ao senador. Na mais famosa igreja da Bahia, a do Senhor do Bonfim, havia hoje fiéis com camisas estampadas com a foto de Antonio Carlos Magalhães.
Responsável por quebrar uma hegemonia de 16 anos do carlismo na Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) decretou luto oficial de cinco dias no Estado. "Antonio Carlos Magalhães despertou amor e ódio, mas a sua influência política é inegável", disse o governador.
Na nota oficial divulgada logo após a morte de ACM, Jaques Wagner disse que, "durante as últimas décadas, Antonio Carlos Magalhães exerceu reconhecida liderança política na Bahia e no Brasil". Outro adversário político do senador, o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), também decretou luto oficial de cinco dias na capital baiana.
Em algumas bancas de jornais, os proprietários colocaram fotos do senador. As baianas vendedoras de acarajé também prestaram homenagens ao ex-presidente do Congresso. Em alguns tabuleiros, faixas e cartazes faziam referências a ACM.
O Palácio da Aclamação, onde o corpo do senador será velado durante toda a madrugada, foi adquirido pelo governo da Bahia em 1912. Até 67, era a residência oficial do governo baiano. A partir deste ano, passa a ser utilizado, esporadicamente, para os despachos do governador e algumas cerimônias oficiais.
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