Zuanazzi diz que tem currículo suficiente comandar Anac
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em meio à pressão de setores do próprio governo e da oposição para deixar o cargo, o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, negou hoje que não tenha capacidade para gerir a crise aérea no país. Zuanazzi disse que todos os diretores da agência têm currículos "mais que suficientes" para estarem no comando da Anac.
"Só vejo essa pressão verbalizada pela imprensa. Se 27 entidades nacionais, inclusive o Fórum Nacional das Universidades, me indicaram para a Anac, isso é currículo meu. Tudo o que eu fiz na vida, todos os lugares por onde passei, essas 27 entidades não me indicaram por acaso. Eu defendo os nossos currículos', enfatizou.
Zuanazzi rebateu as criticas de que os diretores da agência foram indicados politicamente, sem a competência técnica para a gestão do setor aéreo. "A indicação sempre se dará da mesma forma: o presidente da República manda os nomes para o Senado, que sabatina os indicados, e o plenário do Senado vota. Se a indicação do presidente é política, então todas são políticas. Eu considero o nosso currículo mais que suficiente para o comando da Anac."
O presidente da agência disse que o órgão não pode ser responsabilizado pelos atrasos e problemas registrados desde o final do ano passado nos aeroportos. "Eu já participei de muitos vôos com atrasos. Mas é culpa da Anac? A Anac poderia ter feito coisas não permitindo isso?", questionou.
Zuanazzi também rebateu críticas de que teria agido sob pressão das empresas aéreas para ampliar o tráfego aéreo em Congonhas (SP) e no restante do país.
"Nós recebemos Congonhas com 48 movimentos [pousos e decolagens] por hora. Já estávamos em 44, antes da nossa decisão agora de reduzir para 32 movimentos. As empresas pressionam para aumentar, não para diminuir. Isso é uma questão de justiça. Quem vinha diminuindo Congonhas era a Anac", afirmou.
O presidente disse que, em todas as decisões para ampliar ou reduzir o tráfego aéreo em Congonhas, teve o aval da Infraero (estatal que administra os aeroportos do país) e da própria Aeronáutica.
"Os 48 movimentos/hora que recebemos, ou os 44 que adotamos, sempre ouvimos a Infraero e o Decea [Departamento de Controle do Espaço Aéreo], para saber se havia capacidade no céu ou em terra. Em nenhum momento distribuímos nada sem ouvir a Infraero ou o Decea", enfatizou.
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