Partidos de oposição acreditam que governo confessa omissão ao demitir Pires
REGIANE SOARES
da Folha Online
Líderes de partidos de oposição ao governo federal acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confessou sua omissão na crise no setor aéreo ao demitir hoje o ministro da Defesa, Waldir Pires, dez meses após o início dos problemas nos aeroportos do país. Para o DEM, PSDB e PPS, o ministro já deveria ter saído.
O presidente do PPS, Roberto Freire, acredita que a situação do setor aéreo "é o retrato da inapetência" do presidente Lula em governar. "O Lula mostrou total inapetência e irresponsabilidade. E essa demissão é a confissão da omissão de como o governo tratou a questão da crise", afirmou o líder socialista, ao lembrar que foi preciso ter mais uma tragédia para o governo tomar essa decisão.
Freire destacou ainda que o presidente Lula desrespeitou Waldir Pires pela maneira que "fritou" o ministro desde o início da crise aérea. "O Waldir Pires não merecia esse tratamento por sua história, mas deveria ter saído há muito tempo por sua incompetência", comentou.
Com a saída de Pires, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), espera que o governo tenha mais preocupação com a população do que com a sua própria imagem. "O ministro e o presidente da Infraero [José Carlos Pereira, que também deve ser demitido] já saem tarde, mas serão responsabilizados na Justiça pelos crimes que cometeram", disse o parlamentar, sobre a omissão de Pires e Pereira.
Maia preferiu não comentar a nomeação do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim (PMDB) para o Ministério da Defesa. Mas fez questão de ressaltar que o ex-ministro "não é um homem que entenda do setor" aéreo. "Tenho convicção de que [o ministro] precisa ser um técnico", completou.
Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio, a omissão do governo e a falta de aptidão de Waldir Pires são características marcantes do governo Lula. "A própria nomeação de Waldir Pires foi um equívoco. Ele comprovou total incapacidade para ser ministro da Defesa e nenhuma competência no cargo", afirmou.
O DEM e o PSDB também defenderam a saída da direção da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Na opinião de Pannunzio, os órgãos responsáveis pelo setor aéreo "não fizeram nada para evitar a situação absurda que se instalou nos aeroportos e as mais de 350 mortes dos dois últimos grandes acidentes aéreos".
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