Yeda arrocha mais o pagamento de salários de servidores do Estado
SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), reduziu de R$ 2.500 para R$ 1.950 o limite para o pagamento em dia dos salários dos servidores do Executivo.
Desde março, os funcionários que ganham mais de R$ 2.500 vem recebendo com atraso de dez dias a parte que supera esse teto.
Cerca de 40 mil dos 274 mil funcionários ativos, inativos e pensionistas do Estado serão afetados pelo atraso.
Até junho, 20,2 mil servidores vinham sendo atingidos. Com o novo teto, o índice de funcionários com salários atrasados passou de 7,3% para 14,8%.
O valor da folha dos funcionários do Executivo gaúcho é de cerca de R$ 450 milhões. Ao atrasar parte dos salários dos que ganham mais de R$ 1.950, o governo deixará para pagar R$ 98 milhões no próximo mês.
Quando Yeda começou a contingenciar a folha de pagamento, há cinco meses, sinalizou que retomaria os pagamentos normais em agosto. Ontem, porém, disse que não há prazo para voltar a pagar os servidores em dia.
O secretário-adjunto da Fazenda, Ricardo Engler, afirmou que o arrocho é decorrente do agravamento do déficit do Rio Grande do Sul e de dívidas com a União. "Faltam R$ 285 milhões em caixa para pagar todas as contas. Temos uma despesa total de R$ 1,1 bilhão e receitas líquidas que não chegam a R$ 900 milhões", disse.
Somente os funcionários do Executivo vêm recebendo salários atrasados. Servidores do Legislativo, Judiciário e Ministério Público não foram afetados porque seus chefes rejeitaram a proposta de dividir pagamentos.
No mês passado, funcionários atingidos pelo corte entraram com ação no Tribunal de Justiça, que concedeu liminar derrubando o arrocho do governo. Yeda recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) e manteve o contingenciamento.
O presidente da Fessergs (Federação Sindical dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul), Sérgio Arnold, disse que a medida é "paliativa e desnecessária", porque a economia com o corte salarial é pequena.
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