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Brasil
26/07/2007 - 07h56

Sem-terra tentam invadir fábrica que foi de irmão de Renan

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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

Um dia após sem-terra invadirem uma fazenda do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL) em Murici (AL), um protesto contra a grilagem de terras reuniu 2.500 pessoas na cidade, terra natal do clã Calheiros.

Os manifestantes acusavam o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado Olavo de grilagem de terras --apropriação irregular de áreas públicas.

Os participantes do protesto tentaram invadir a fábrica de refrigerantes que pertencia a Olavo e foi comprada pela Schincariol no ano passado. Forçaram o portão, mas foram dissuadidos da idéia por quatro policiais militares do centro de gerenciamento de crises da corporação.

Eles também tentaram entrar na prefeitura, administrada por José Renan Calheiros Filho (PMDB), filho do senador. Agricultores com bandeiras dos movimentos sociais chegaram a subir na varanda do prédio, mas não entraram. A reportagem não confirmou se o prefeito estava no local.

Os manifestantes também fizeram protestos em frente ao cartório e ao fórum de Murici. Muitas lojas fecharam.

O protesto foi organizado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) e CPT (Comissão Pastoral da Terra) para marcar o Dia do Trabalhador Rural. Sindicalistas ligados à CUT também participaram.

Os organizadores do protesto se disseram surpresos com o número de participantes. "Foi maior do que a gente imaginou. A idéia era reunir mil pessoas, mas foi aparecendo muita gente. Acho que chegou a 3.000 pessoas", disse Carlos Lima, coordenador da CPT.

A avaliação de que o protesto reuniu 2.500 pessoas é da Polícia Militar. Oitenta policiais do Batalhão de Operações Especiais acompanharam o ato.

"Eco"

Segundo Lima, os movimentos sociais denunciam a grilagem de terras na região há muito tempo, mas agora "tiveram mais eco". A assessoria de imprensa do MST disse que as suspeitas contra Renan contribuíram para impulsionar a ação em Murici --ele é investigado pelo Conselho de Ética do Senado por suspeitas de ter gastos pessoais pagos por um lobista.

A Folha não conseguiu falar ontem com Olavo Calheiros. A reportagem deixou recado no escritório dele em Maceió, mas ele não ligou de volta. Em entrevista à TV Gazeta, de Maceió, anteontem à noite, Renan disse que não comentaria a invasão, pois a fazenda Boa Vista é de seu irmão.

Invasão

A juíza de Murici, Aida Cristina Antunes, disse que foi apresentado um pedido de reintegração de posse da fazenda, mas que ela se declarou impedida de julgá-lo por "motivo de foro íntimo". Ela não quis dizer qual foi o motivo.

O pedido foi encaminhado à juíza do município de Messias, Marcli Guimarães, que também se declarou impedida. O juiz José Lopes Neto, de União dos Palmares, recebeu o pedido. Até o final da tarde, a Secretaria da Defesa Social não havia sido informada se a reintegração havia sido concedida.

A fazenda foi invadida anteontem por cerca de 400 sem-terra. Segundo a PM, um funcionário da fazenda Boa Vista relatou que os sem-terra mataram 15 cabeças de gado. O valor dos animais não foi estimado.

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