Controladores de vôo elogiam troca de Waldir Pires por Nelson Jobim
MARI TORTATO
da Agência Folha, em Curitiba
JOSÉ EDUARDO RONDON
da Agência Folha
Controladores de vôo ouvidos ontem pela Folha receberam bem a mudança no comando do Ministério da Defesa e fizeram críticas à gestão do ex-ministro Waldir Pires.
No Cindacta-2 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), em Curitiba, controladores disseram acreditar que, ao contrário de seu antecessor, o novo ministro, Nelson Jobim (PMDB), irá "encarar de frente" a crise aérea. Ressalvaram, porém, que não é o ministro, mas a logística, a causa principal do caos aéreo.
Apesar do crédito dado a Jobim, afirmaram não acreditar que a situação se resolva apenas com a mudança do ministro. Disseram que Pires é um homem sério, mas que teve uma administração marcada pela inércia. Posição firme e passagem por outro ministério (Justiça), segundo eles, são pontos favoráveis a Jobim.
Para os militares ouvidos, os nós da crise da aviação comercial só serão desatados com intervenções técnicas. Dizem que a questão é assunto do setor de transporte, e não de defesa do espaço aéreo.
Um dos três entrevistados do Cindacta-2 --nenhum quis se identificar por temer represálias por quebra da disciplina militar-- se disse "aliviado" pelo fato de não ter sido o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Justificou o "alívio" dizendo que Bernardo negociou o fim do motim (definição que os controladores não aceitam) que parou os aeroportos em 30 de março assumindo compromissos com a categoria que depois negou ter fechado.
A assessoria de imprensa do ministro Paulo Bernardo informou que ele não comentaria a declaração do controlador.
Em Manaus, um dos controladores do Cindacta-4 disse esperar que a troca faça com que Jobim "tenha mais força política" do que seu antecessor.
No entendimento do militar, que também pediu para não ser identificado com receio de represálias, Waldir Pires não teve força política necessária para se impor como ministro e realizar mudanças políticas para o setor, entre elas a "tão famosa desmilitarização". A reportagem não conseguiu contato com Waldir Pires ontem.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Jobim diz que assume Defesa com "carta branca" e sinaliza mudanças na Anac
- Planalto dá versões diferentes para a demissão de Waldir Pires
- Na posse de Jobim, Lula faz discurso com tiradas engraçadas
- Jobim diz que foi convencido pela mulher a assumir Ministério da Defesa
- Nelson Jobim segue determinação de Lula e vai a Congonhas e ao IML
Especial

