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Brasil
26/07/2007 - 15h58

Ministro diz que fila em aeroporto é o preço da segurança nos vôos

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, assumiu o cargo com a promessa de trazer comando e organização para o sistema aéreo. No entanto, ele não prometeu soluções para acabar com os problemas que atormentam os passageiros nos aeroportos, como filas, atrasos e cancelamentos. Jobim disse que a prioridade agora é a segurança do sistema.

"Fizemos no Brasil várias reformas em aeroportos, mas na perspectiva da comodidade dos usuários. Precisamos escolher nossas prioridades. Elas começam pelo decolar, trafegar para depois chegar à comodidade. Se o preço da segurança for manter a fila, ela será mantida. É o preço que pagamos pela segurança", disse ele logo após receber o cargo do ex-ministro Waldir Pires, afastado ontem.

Alan Marques/Folha Imagem
Jobim diz que será o maestro da orquestra que vai colocar ordem no controle do sistema aéreo
Jobim diz que será o maestro da orquestra que vai colocar ordem no controle do sistema aéreo

Essa não é a primeira vez que o governo sinaliza que o passageiro será penalizado pelas medidas de segurança no sistema aéreo. No começo da semana, o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse que os passageiros poderiam pagar mais caro para viajar por conta das medidas que seriam implantadas para ampliar a segurança, como a redução do fluxo em Congonhas (SP).

"Segurança tem que vir em primeiro lugar. Eu não disse que o aeroporto estava inseguro, mas chegou a hora de tomar medidas cautelares e isso pode significar, sim, um aumento de preços para os passageiros, que terão que pagar um pouco mais pela sua segurança", afirmou Pereira na última segunda-feira.

Ação

Jobim afirmou que o momento é de ação no enfrentamento da crise do setor aéreo e não de ficar se lamentando ou remoendo o que deixou de ser feito. "Aja ou saia. Faça ou vá embora."

Jobim fez questão de repetir hoje que havia um problema de falta de comando no setor aéreo que será eliminado com a sua presença. "Não pode deixar haver mais comandos fora de regência. Tem que funcionar como orquestra. E o maestro sou eu. A música e composição são do presidente. Eu executo isso."

Mudanças

Jobim sinalizou mais uma vez que pretende fazer mudanças na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e Infraero (estatal que administra os aeroportos). Pela lei, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, não pode ser demitido. Seu mandato vai até 2011.

"Temos de verificar se modelo de agência serve ou não. Ainda não tenho clara essa noção", disse ele sobre a eficiência do modelo de gestão da Anac.

Ele afirmou que até domingo pretende ter um diagnóstico sobre as eventuais mudanças que serão feitas na Anac e Infraero.

Reportagem de hoje da Folha informa que Jobim pretende convidar Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil, para comandar a Infraero. Hoje o cargo está nas mãos do brigadeiro José Carlos Pereira.

Ele disse que o perfil para o cargo é de gestor. "Ser civil ou militar, não importa. O que é importante é ser um gestor."

Ele também descarta levar em conta indicações partidárias em eventuais futuras mudanças no comando do setor aéreo. "Neste setor não há que se tomar decisões partidárias."

Em relação às companhias aéreas, Jobim disse que vai cobrar responsabilidade delas na solução da crise. "Responsabilidade, solidariedade e integração. Precisamos ter uma grande união nacional."

Eleições de 2010

Jobim negou que tenha pretensões políticas ou a intenção de disputar cargos eletivos em 2010. Segundo ele, qualquer eventual desejo nesse sentido é contido pela mulher, Adrienne Senna. "Minha mulher não deixa. Não tenho pretensão [política] alguma."

A reação de Jobim é uma resposta às insinuações de que ele aceitou assumir o Ministério da Defesa em troca de um eventual apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2010.

Frustração

Lula Marques/Folha Imagem
Waldir Pires diz que deixa o governo com frustração e sentimento de sonho interrompido
Waldir Pires diz que deixa o governo com frustração e sentimento de sonho interrompido

O ex-ministro Waldir Pires disse que deixa o governo com um sentimento de frustração e de sonho interrompido. "Não é para mim um simples instante nem um trivial instante. Quando lhes digo adeus, meus caros companheiros, tenho dentro de mim, um sentimento que me sufoca, de frustração e de dívida pelo temor do sonho interrompido porque lutei toda a minha vida por uma nação independente e justa."

O ex-ministro não escondeu que estava sendo difícil para ele deixar o cargo. "Nunca é fácil o instante da despedida, sobretudo quando havia uma missão que se deveria cumprir e não logrou-se completar-se."

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