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Brasil
27/07/2007 - 12h40

Presidente do Conselho de Ética nega atraso em investigação do caso Renan

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse nesta sexta-feira que as investigações sobre o processo do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) devem ser concluídas até o final de agosto. Ele negou que o atraso no envio de documentos sobre o caso para a Polícia Federal trará prejuízos ao andamento do processo no Senado.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Presidente do Conselho de Ética do Senado nega atraso em investigação do caso Renan
Presidente do Conselho de Ética do Senado nega atraso em investigação do caso Renan

"A PF nos pediu 20 dias para concluir as perícias. Encaminharemos os documentos tão logo eles cheguem ao Senado. Acho que dará para concluir todo o trabalho até o final de agosto e depois já votar o relatório final", disse Quintanilha.

O senador afirmou ainda que trabalhou no caso Renan durante todo o recesso parlamentar --que começou no dia 18 a acaba em 31 de julho.

A idéia de Quintanilha é reunir informalmente os três relatores do processo na semana que vem. Segundo ele, o objetivo da conversa é definir os procedimentos e os prazos. A conversa com os relatores Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima (PMDB-SE) e Marisa Serrano (PSDB-MS) ainda não tem data definida para ocorrer.

A PF aguarda que a Secretaria-Geral da Mesa do Senado encaminhe ainda hoje cópias de notas fiscais referentes às transações financeiras de Renan. Os documentos foram obtidos por técnicos do Conselho de Ética do Senado que viajaram até Alagoas.

Renan é acusado de quebra de decoro por supostamente ter utilizado dinheiro da empresa Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à Mônica Veloso --com quem tem uma filha. Para provar que tinha recursos para fazer os pagamentos, Renan alegou ter lucros com a venda de gado. São essas transações que serão periciadas.

Perícias

Desde a última quarta-feira, os peritos da PF fazem uma análise preliminar dos documentos de defesa apresentados por Renan e já remetidos pelo Senado. Eles avaliam várias GTAs (Guia de Trânsito Animal), emitidas pela Adeal (Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária) de Alagoas, e recibos de apenas um dos compradores do gado vendido por Renan, de seu irmão, Olavo Calheiros (PMDB-AL).

Porém, a coleta de documentos não foi simples. Os dois técnicos do Senado que viajaram a Alagoas, há uma semana, para buscar dados dos compradores de gado de Renan, voltaram de mãos vazias. Só ontem chegaram ao Senado os documentos que restavam. Os policiais irão incluir a nova remessa de material nas perícias.

Durante o recesso parlamentar, Renan deixou Brasília e seguiu com a mulher para Alagoas. Neste período, ele concedeu entrevistas para rádios e emissoras de TV locais. Nas entrevistas, o peemedebista alegou ser alvo de ataques da oposição que quer tirá-lo do comando do Senado e condenou os adversários.

"O que está havendo é uma briga para ocupar a cadeira de presidente do Senado, porque o Senado é uma instituição forte, tem a ver com endividamento do Estado, com a especificação de recursos para investimento, tem a ver com muitas coisas das quais muitos precisam e muitas vezes brigam por isso", disse o senador em entrevistas às emissoras locais de TV.

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