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Brasil
30/07/2007 - 16h39

Eduardo Campos diz que Jobim não fará milagre para resolver crise sozinho

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REGIANE SOARES
da Folha Online

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta segunda-feira que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, não fará milagre para resolver a crise aérea sozinho. Na avaliação do socialista, o ministro terá a missão de integrar o governo e a base aliada para "ajudá-lo" a cumprir "essa missão dura", pois "ninguém isoladamente resolve uma situação como essa".

"O ministro [Jobim] tem muita capacidade política. É um jurista e um homem equilibrado. Esteve no parlamento com grande desenvoltura. Foi presidente do Supremo Tribunal Federal e tem capacidade política para coordenador uma comunhão de esforços. Não vamos imaginar que o ministro sozinho possa fazer milagre. O que ele pode fazer é nos congregar a todos e todos nós devemos ajudá-lo a cumprir essa missão dura", afirmou o governador após participar de almoço-debate do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), no hotel Renaissance, em São Paulo.

Jobim assumiu a Defesa na quarta-feira passada em substituição a Waldir Pires. Na transmissão do cargo, na quinta-feira, o ministro fez um discurso duro e afirmou que o momento é de ação no enfrentamento da crise aérea e não de ficar se lamentando ou remoendo o que deixou de ser feito. "Aja ou saia. Faça ou vá embora", afirmou na ocasião.

Para amenizar a crise, Campos defendeu investimentos públicos e unidade de todos os níveis de governo: União, Estados e municípios. Questionado se a privatização dos aeroportos seria uma solução, o governador disse que o modelo pode ser uma saída, mas não a única.

"Não tenho nenhum preconceito em fazer PPP [Parceria Público-Privada], mas isso não é a solução. Tem que ter investimento público e qualificação de mão-de-obra. Se a privatização resolvesse, nós não teríamos o apagão na energia após fazer todo um processo de privatização. Nós não vamos repetir esses erros com a questão dos vôos", disse.

Para o governador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demorou para trocar o ministro da Defesa para tentar resolver a crise aérea, pois o setor é formado e comandado por vários órgãos, além da iniciativa privada. "Ou seja, é uma autoridade difusa em relação à regulação da atividade", afirmou Campos, que evitou apontar os responsáveis pelo caos aéreo.

"A nação não vai perdoar quem quiser, a essa altura do campeonato fazer, disputa pequena ou palanque eleitoral em cima das vidas que perdemos [no acidente do vôo 3054 da TAM]. Acho que tudo o que o país não precisa é fazer de um episódio lamentável como esse palco de uma disputa político-eleitoreira", comentou.

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