Brasil
30/07/2007 - 17h15

"Tudo o que entra, sai", diz presidente da Infraero sobre decisão de Jobim

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse nesta segunda-feira não se sentir traído com a decisão do ministro Nelson Jobim (Defesa) de substituí-lo no cargo. O brigadeiro afirmou que não ficará constrangido nem chateado caso seja afastado do governo, mas deixou claro que não está disposto a pedir demissão.

"Eu fui colocado e preciso sair da mesma forma em que fui colocado. Tudo o que entra, sai. Tudo o que sobe, desce", afirmou.

Apesar das especulações de sua demissão, Pereira disse que não foi comunicado sobre eventuais mudanças na Infraero. O brigadeiro disse, no entanto, que se for oficialmente afastado de suas funções não deixará o governo com mágoas.

"Um funcionário público não pode ter pensamento de constrangimento, sair magoado ou chutando a mesa. Na hora de sair, cada um terá que sair convencido de que fez o seu melhor trabalho."

Pereira disse que ainda se sente presidente da Infraero mesmo diante da "fritura" a que vem sendo submetido pelo governo nos últimos dias. "A cada minuto toca o meu telefone para resolver algum problema em aeroportos", afirmou.

O brigadeiro disse acreditar que seu eventual substituto terá condições de promover mudanças no comando da estatal que administra os aeroportos do país. "Presumo que toda mudança implica em diferença. Quando se muda um dirigente, a esperança é que as coisas melhorem. Eu não me sinto traído", desabafou.

O presidente da Infraero evitou emitir juízo de valor sobre a decisão de Jobim de substituí-lo no cargo. "Há muito tempo eu abandonei critérios de Justiça. Não cabe a mim julgar", disse.

Apesar do tom ameno, o brigadeiro criticou o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o novo ministro da Defesa tenha "carta branca" em suas ações. "A carta branca é complicada, você tem leis no país que precisam ser cumpridas."

Demissão

Durante reunião da coordenação política do governo na manhã de hoje, Jobim teria informado que irá substituir o brigadeiro no comando da Infraero. No entanto, o ministro não deve nomear Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil, para o cargo de presidente da estatal nem resolver o assunto hoje.

Maranhão teria alegado a Jobim que tem "pendências" para resolver e não poderia assumir a função.

Lula também teria informado aos ministros presentes que não há intenção do governo em pedir que o comando da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) renuncie coletivamente.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca