Brasil
31/07/2007 - 21h11

Lula reage a protesto e diz que não se pode brincar com a democracia

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HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu hoje, em Campo Grande, a um protesto de "meia dúzia de meninos gritando fora [Lula]" e disse que "as pessoas deste país precisam aprender a não brincar com a democracia".

Um grupo de 20 universitários esperou Lula a cem metros da entrada do clube Estoril, onde Lula lançou obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
O grupo gritava a mesma frase escrita em um cartaz erguido na passagem do presidente, com os dizeres "Fora Lula".

Antes de o presidente sair da base aérea de Campo Grande, onde chegou por volta das 16h (horário de Brasília), um grupo de 20 homens da Polícia Militar arrancou quatro faixas das mãos de ao menos dez agentes penitenciários.

Do lado de fora da base aérea, do outro lado da avenida, os agentes estenderam as quatro faixas pedindo a criação da polícia penitenciária. Uma delas dizia: "Presidente Lula, evite o apagão penitenciário no país".

Os manifestantes disseram que a ordem de arrancar as faixas foi do comando da PM. O governo do Estado negou. A Secretaria de Imprensa da Presidência da República também informou que não deu a ordem.

Ao chegar perto ao clube onde seriam lançadas obras de saneamento e urbanismo do PAC, com investimento de R$ 291 milhões do governo federal, Lula viu a "meia dúzia de meninos".

O presidente falava da redução nos juros em seu discurso quando mencionou o protesto. "Vamos chegar a um patamar de juros no curto espaço de tempo que jamais um brasileiro de classe média acreditava que pudesse chegar. Quando digo que vamos fazer coisas é porque é possível. Eu sei que isso incomoda muita gente", disse Lula, citando depois a "meia dúzia de meninos".

"Alguém de vocês que tenha mais idade, pelo amor de Deus, diga para que eles que as eleições acabaram em outubro", afirmou o presidente.

"As pessoas deste país precisam aprender a não brincar com a democracia. A democracia é uma conquista que levou muita gente a sofrimento", disse Lula.

O presidente disse que, enquanto a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ficou "três anos e meio presa por lutar pela liberdade deste país", outros "acham que podem gritar 'fora Lula, eu não gostei'", recebendo aplausos e risos do público de 2.000 pessoas convidadas pelo governo de Mato Grosso do Sul, beneficiado pelo PAC.

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