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Brasil
02/08/2007 - 09h08

Frigorífico usado por presidente do Senado não poderia negociar gado

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da Folha Online

Contrariando a versão apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para explicar a venda de gado a empresas fantasmas, o frigorífico Mafrial não tem autorização para comprar e vender carne, informa nesta quinta-feira reportagem da Folha (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL).

Segundo a reportagem, Renan havia dito que as negociações eram realizadas por meio do Mafrial. No entanto, comprovantes na Receita Federal e na Secretaria Estadual de Fazenda de Alagoas mostrariam que o frigorífico só está autorizado a abater, armazenar e entregar, não negociar carnes.

O presidente do Senado é acusado de ter recebido dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.

Renan responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado com base em representação encaminhada pelo PSOL.

Conselho de Ética

O Conselho de Ética vai esperar a conclusão da perícia nos documentos de Renan pela Polícia Federal para convidar o presidente do Senado a prestar esclarecimentos ao órgão.

Como a PF terminou de receber a documentação da defesa de Renan somente no fim da semana passada, os policiais estimam concluir a perícia nas próximas três semanas. "A PF tem agora em mãos quase 100% do que precisa para realizar a perícia. A partir da semana que vem, vamos definir depoimentos. Mas algumas oitivas, como a do senador Renan, devem sim ocorrer somente após a conclusão da perícia", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do processo contra Renan no conselho.

O relator disse que, caso a PF não conclua a perícia até meados de agosto, o conselho poderá ceder prazo maior para garantir que as investigações sobre Renan sejam detalhadas pelo órgão.

A PF investiga a autenticidade de notas fiscais e outros documentos apresentados pelo senador para comprovar sua renda financeira, além da evolução patrimonial de Renan entre 2002 e 2006 --período em que teria utilizado dinheiro da empreiteira para o pagamento da pensão.

Nova representação

O PSOL protocolou ontem nova representação contra Renan na Mesa Diretora do Senado por quebra de decoro parlamentar. Desta vez, o partido cobra investigações sobre as denúncias de que Renan teria grilado terras em Alagoas, além de supostamente ter beneficiado a empresa Schincariol junto ao INSS.

A Schincariol comprou uma fábrica do irmão de Renan, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), em Murici (AL), por um preço acima da média do mercado. O senador é acusado de, meses depois, ter atuado junto ao INSS para beneficiar a empresa para reverter dívidas fiscais.

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