Brasil
02/08/2007 - 13h54

Presidente Lula compara crise aérea com metástase

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira, durante reunião do Conselho Político, no Palácio do Planalto, que o setor aéreo não tinha noção da dimensão dos problemas e dificuldades que existiam na área.

De acordo com parlamentares que participaram da reunião, o presidente teria ainda comparado a crise aérea com uma metástase --quando o paciente que sofre de câncer em um órgão descobre que há ramificações da doença em outros locais do corpo.

Na ocasião, Lula também teria dito que nas cinco eleições em que concorreu à Presidência da República o assunto "crise aérea" não foi mencionado.

A Folha Online apurou que o presidente não demonstrou irritação ao falar do movimento "Cansei" --organizado em São Paulo em protesto contra a crise aérea. Segundo deputados, o presidente disse estar disposto a tratar do assunto em palanques ou quando for provocado pela oposição.

Como a crise aérea, agravada após o acidente com o vôo 3054 da TAM, foi tema da reunião do Conselho Político, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deverá participar do próximo encontro. A idéia é que ele apresente algumas das medidas definidas pelo Conac (Conselho de Aviação Civil) já implementadas.

"O presidente deu carta branca ao ministro Jobim. A crise aérea não é uma questão de governo, de partido ou de oposição. É um constrangimento nacional. Não podemos discutir o assunto de forma emocional", afirmou o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE).

A discussão sobre a crise aérea foi provocada pelo vice-presidente do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral. Segundo Múcio, durante a reunião, o presidente, os parlamentares e os ministros falaram do clima de constrangimento que domina o país depois da tragédia ocorrida no aeroporto de Congonhas (SP), no último dia 17, matando 199 pessoas.

Agências

Na reunião, Lula confirmou que pretende rediscutir o funcionamento e a legislação das agências reguladoras. Mas pediu cautela ao tratar do assunto.

O tema veio à tona em decorrência das críticas envolvendo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), apontada como inoperante para solucionar a as dificuldades no setor aéreo.

Segundo o líder do governo, o presidente vai tratar das agências reguladoras com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) depois que retornar de sua viagem ao México e a países da América Central. Lula ficará uma semana fora do Brasil a partir do próximo domingo. "O presidente quer discutir mais a fundo a questão", disse Múcio.

No Congresso, a oposição atacou o governo e a legislação referente às agências reguladoras. Uma das principais críticas é que os presidentes e diretores das agências têm mandatos, o que impede a possibilidade de serem demitidos.

Familiares

O presidente Lula deve receber ainda hoje os representantes dos familiares das vítimas do Airbus-A320. Os parentes das vítimas estiveram nesta quinta-feira na Câmara e entregaram aos integrantes da CPI do Apagão um manifesto cobrando uma série de medidas para a identificação das causas que provocaram o choque da aeronave com o prédio da TAM Express.

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