Aliados transformam cerimônia no Planalto em ato de apoio ao presidente
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Sem vozes de oposição, a cerimônia de liberação de recursos para projetos de saneamento básico e urbanização, no Palácio do Planalto, se transformou hoje num ato de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a certeza de que cerca de R$ 6 bilhões para a execução de projetos serão liberados pela União, 12 governadores e prefeitos de 71 municípios aproveitaram a cerimônia para fazer elogios ao governo federal.
O prefeito de Porto Velho (RO), Roberto Eduardo Sobrinho (PT), aproveitou o rápido discurso para garantir que Lula "jamais será vaiado" quando visitar a cidade. "Nunca na nossa história os nossos municípios receberam tantos recursos quanto estamos recebendo neste momento. Não somos traíra, sabemos agradecer. O senhor jamais receberá vaia em nosso município", enfatizou.
No dia 13 de julho, na abertura dos Jogos Pan-Americanos no Maracanã, no Rio de Janeiro, Lula foi vaiado por grande parte da platéia. O ato gerou reações do presidente e do governo federal. Lula comparou as vaias com uma festa, em que é convidado, mas sua presença não é bem-vinda.
Sem mencionar o episódio do Maracanã, o ministro Márcio Fortes (Cidades) disse que Lula é sempre bem recebido em qualquer Estado brasileiro. "Essas obras têm intensa repercussão para a população e trazem resultados em sua auto-estima. A referência à vaia deve ser de alguns funcionários em greve que participam de nossas visitas para discutir o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Os auditórios sempre estão repletos para ouvir o presidente", afirmou.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), confirmou que Lula visitará obras no Estado no dia 20 de agosto. Ao ser questionado sobre a possibilidade de vaias, Cabral respondeu apenas que "Lula é muito querido no Rio".
Desabafo
A governadora do Pará, Ana Julia Carepa (PT), aproveitou a cerimônia para atribuir às elites do país a responsabilidade pela "pobreza e a miséria" das últimas décadas. "Elas são responsáveis por esse quadro político. Apesar de não gostarem da nossa história, não teve igual investimento nessa área", afirmou.
Ao discursar na cerimônia, Lula disse que o governo federal conseguiu sistematizar a liberação de recursos no PAC para acabar com as disputas entre os prefeitos e os governadores.
"Os prefeitos se queixavam que o dinheiro era dado aos Estados. Os governadores se queixavam que não era justo o governo federal passar dinheiro direto para os municípios. Por conta dessas críticas, decidimos colocar na mesma mesa os prefeitos e governadores, para juntos escolhermos as obras que iríamos fazer", disse.
Na opinião de Lula, nas regiões metropolitanas do país "está o centro mais nervoso da sofrível vida de quem mora na periferia" --por isso a decisão do governo federal de priorizar grandes centro urbanos na liberação de recursos do PAC.
"É nesse espaço disputado com ratos e baratas que nos grandes centros urbanos as pessoas foram segregadas. Por isso o dinheiro foi privilegiado para as grandes regiões metropolitanas desse país, para diminuir esse centro nervoso", disse o presidente.
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