DEM quer obstruir votações no Senado enquanto Renan não deixar presidência
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O DEM está disposto a obstruir as votações no Senado Federal enquanto o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não se afastar do cargo. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), considera "insustentável" a permanência de Renan depois de novas denúncias publicadas pela revista "Veja" que acusam o senador de usar "laranjas" para a compra de empresas de comunicação em Alagoas.
"Eu vou propor amanhã [em reunião da bancada] que nós não votemos mais nada sob a presidência do senador Renan. Eu sei que temos uma matéria que tem que ser votada, a lei das micro e pequenas empresas. Mas uma coisa que me incomoda é passar ao país que estamos em paz aqui no Senado. Não estamos em paz coisa nenhuma. Estamos constrangidos e muito", desabafou Agripino da tribuna da Casa.
Na opinião do senador, a denúncia publicada pela "Veja" é "consistente, tem início, meio e fim". Agripino disse estar disposto a preservar a imagem do Senado, mesmo com a disposição de Renan em não se afastar da presidência da Casa.
"Eu sou pessoa de índole pacífica, não sou beligerante por natureza. Mas o sentido de auto preservação da Casa transforma o mais pacífico em pessoas empenhadas na preservação da dignidade. E eu não vou abrir mão de preservar a dignidade da Casa a que fui eleito."
O PSDB ainda não definiu se irá acompanhar os democratas na obstrução dos trabalhos --caso o DEM decida por este caminho durante reunião da bancada. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que vai discutir a proposta com os colegas de partido, mas também considerou "muito graves" as novas denúncias contra Renan.
"A situação dele se agrava. Temo maior radicalização dos setores inconformados com a sua presença na presidência. A cada dia o presidente da Casa tem que se explicar. A instituição não pára de sangrar", disse Virgílio.
O tucano reconheceu que está numa situação difícil, uma vez que, apesar de ser favorável à obstrução dos trabalhos sob a presidência de Renan, considera importante o Senado não paralisar suas atividades. "Estamos entre a cruz e a caldeirinha. Temos o compromisso de votar matérias como o Simples, mas temos a indisposição dos colegas", afirmou.
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