PSOL vai pedir inclusão de novas denúncias contra Renan no Conselho de Ética
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PSOL vai pedir amanhã ao presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para incluir nas investigações sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) a nova denúncia de que ele teria utilizado "laranjas" para a compra de empresas de comunicação em Alagoas. O partido vai propor um "aditamento" ao processo que já tramita no conselho para incluir as novas acusações.
O DEM também pretende pedir amanhã o aditamento ao processo para que a denúncia seja investigada no processo contra Renan no conselho.
"Nosso primeiro movimento é solicitar o aditamento ao processo que já está em curso. Como tem uma investigação sobre a movimentação financeira do senador, isso cabe no primeiro processo. É uma economia processual mais rápida", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
O deputado se reuniu n tarde desta segunda-feira com a presidente do partido, Heloísa Helena, para discutir as investigações sobre Renan. Alencar disse que, se o Conselho de Ética não acatar o aditamento ao processo, o PSOL está disposto a ingressar com nova representação na Mesa Diretora do Senado para que a nova denúncia seja investigada.
"Não teremos o menor problema de ingressar com uma nova representação caso o pedido de aditamento não seja aceito pelo conselho. Se isso acontecer, vamos para uma nova representação", disse.
Renan já responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética após representação apresentada pelo PSOL relativa às denúncias de que o senador teria utilizado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.
Na semana passada, o PSOL encaminhou nova representação à Mesa Diretora do Senado para que o conselho investigue a denúncia de que Renan teria atuado para beneficiar a Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou uma fábrica do irmão do senador, Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima da média do mercado.
Inquérito
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) abertura de inquérito para investigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O pedido do procurador diz respeito a todas as denúncias contra Renan.
Com a autorização do Supremo, o senador, que tem foro privilegiado, será investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A Procuradoria deve receber do Conselho de Ética do Senado os documentos apresentados pelo peemedebista.
Aditamento
O DEM vai reunir amanhã a sua bancada no Senado para definir se solicitará o aditamento do processo ou se vai encaminhar uma representação contra Renan à Mesa Diretora. O partido quer investigar denúncia revelada pela revista "Veja" de que Renan seria sócio oculto de uma empresa de comunicação em Alagoas.
O senador teria usado laranjas e pago R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, parte em dólares, para virar sócio de duas emissoras de rádio no Estado, que valem cerca de R$ 2,5 milhões.
Ainda de acordo com a reportagem, o peemedebista, até dois anos atrás, também foi sócio de um jornal diário cujo valor é de R$ 3 milhões. Em 1999, Renan teria procurado o usineiro João Lyra para conseguir os recursos necessários para a compra --com intermediários "laranjas" na negociação.
Com as novas denúncias, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que o partido está disposto a obstruir as votações na Casa Legislativa até que Renan se afaste da presidência do Senado.
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