DEM decide entrar com nova representação contra Renan no Conselho de Ética
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O DEM decidiu hoje ingressar com representação na Mesa Diretora do Senado contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O partido defende que o Conselho de Ética do Senado investigue a denúncia de que Renan teria utilizado "laranjas" para comprar empresas de comunicação em Alagoas, divulgada pela revista "Veja".
A bancada do DEM espera o apoio do PSDB à representação, mas os tucanos ainda não firmaram posição sobre o pedido de investigação. Os democratas optaram por apresentar uma nova representação contra Renan e não incorporar a nova denúncia ao processo que já tramita no conselho contra o presidente do Senado para dar celeridade às investigações.
"Não vamos fazer um aditamento ao atual processo porque senão a investigação ficaria atrasada", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O presidente do Senado responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética pela acusação de que teria utilizado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
O PSOL já apresentou à Mesa Diretora do Senado outra representação contra Renan, na qual pede investigações sobre a denúncia de que o peemedebista teria beneficiado a Schincariol junto ao INSS depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, Olavo Calheiros (PMDB-AL), por um preço acima da média do mercado.
O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, disse hoje não ver elementos para que a Mesa acolha a representação do PSOL contra Renan. Mesmo com um parecer nesse sentido, o DEM disse acreditar que a Mesa vá acolher uma nova denúncia contra o senador --que também tem como base matéria publicada pela revista "Veja".
"O procurador-geral da República [Antonio Fernando de Souza] pediu ao Supremo [Tribunal Federal] para investigar o presidente do Senado. É obrigação do Conselho de Ética fazer a sua parte", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).
Obstrução
O DEM decidiu que vai procurar o PSDB e outros partidos de oposição para conseguir apoio na obstrução dos trabalhos do plenário do Senado enquanto Renan estiver na presidência da Casa.
"A bancada me delegou para conversar com outros líderes partidários para que possamos fazer uma obstrução mais eficaz. Uma obstrução com um número pequeno de parlamentares não é eficaz. É preciso apoio de um número maior de partidos", disse Agripino.
O líder afirmou que está disposto a procurar, além do PSDB, o PDT e integrantes de partidos da base aliada que são contrários à permanência de Renan na presidência do Senado. Segundo o líder, a obstrução só será interrompida quando as sessões não forem presididas pelo peemedebista.
"Se qualquer integrante da Mesa Diretora presidir a sessão, não há dificuldades em se votar", disse o líder.
Com apenas 16 dos 81 senadores, os democratas reconhecem que precisam de maior apoio para garantir a obstrução às sessões presididas por Renan. "A nossa estratégia será não dar quorum às sessões para impedir que ele [Renan] presida as sessões, o que evita constrangimentos a nós e à sociedade", disse Agripino.
CCJ
Durante reunião da bancada, o DEM também decidiu encaminhar o nome do senador Marco Maciel (DEM-PE) para a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A vaga ficou em aberto com a morte do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), que presidiu a comissão desde a última legislatura.
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