Brasil
07/08/2007 - 17h17

Minha força é proporcional à verdade que carrego comigo, diz Renan

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), subiu nesta terça-feira à tribuna da Casa para se defender das denúncias de que teria utilizado "laranjas" para comprar empresas de comunicação em Alagoas. Em um discurso que durou mais de dez minutos, Renan fez um desabafo e um apelo aos senadores para reiterar inocência em todas as denúncias de que é acusado.

"Há mais de dois meses venho sendo vítima de um impiedoso ataque. Nesse período, não me esquivei de nenhuma pergunta, não me escondi, não me furtei a dar respostas até às indagações mais desbaratadas. Não tenho nada, absolutamente nada a temer ou a esconder", enfatizou.

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Ministro do STF determina quebra de sigilos fiscal e bancário de Renan Calheiros
Ministro do STF determina quebra de sigilos fiscal e bancário de Renan Calheiros

O senador disse que não vai se afastar da presidência do Senado mesmo com o apelo da oposição para deixar o cargo até a conclusão das investigações no Conselho de Ética da Casa.

"Não esperem de mim que eu abdique do meu amplo direito de defesa. Não esperem que eu seja sócio passivo de um rito sumário de julgamento e defesa. Minha força é proporcional à verdade que carrego comigo. Sei o que faço e o que fiz, e não são coisas vergonhosas."

Renan disse que são caluniosas as denúncias de que usou terceiros para comprar uma rádio e um jornal em Alagoas, em 1999. Segundo Renan, as acusações publicadas pela revista "Veja" são de responsabilidade de dois dos seus adversários políticos no Estado: Heloísa Helena, presidente do PSOL, e João Lyra (PTB), candidato derrotado ao governo de Alagoas em 2006.

O peemedebista disse que Heloísa Helena e Lyra são "rancorosos" que desejam "desesperadamente inserção na vida nacional". Renan disse que nunca foi proprietário das empresas de comunicação que, supostamente, teria usado laranjas para adquirir. "É puro delírio que encontra espaço fértil e contamina esse plenário", afirmou.

Renan também criticou a decisão do DEM e do PSDB de obstruírem as votações do Senado enquanto estiver na presidência da Casa. "Alguns ameaçam usar a obstrução contra a democracia, o processo legal, o contraditório", disse.

O senador ainda fez críticas à representação que será encaminhada pelo DEM e PSDB à Mesa Diretora para que o Senado investigue as denúncias relativas às empresas de comunicação. "Que o façam. Da minha parte sigo orgulhoso defendendo os interesses de Alagoas e respeitando o direito de liberdade de imprensa", afirmou.

Renan já responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética sob a acusação de que teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.

A Mesa Diretora do Senado também decidiu hoje acatar representação do PSOL para que o Conselho de Ética investigue a denúncia de que Renan teria beneficiado a Schincariol depois que a empresa comprou uma fábrica do irmão de Renan, Olavo Calheiros (PMDB-AL), por um preço acima da média do mercado.

Se a representação do DEM e do PSDB seguir para o Conselho de Ética, será a terceira contra o presidente do Senado desde que surgiram as primeiras acusações contra Renan.

Investigação

Renan reiterou que a decisão do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pedir que o STF (Supremo Tribunal Federal) o investigue foi motivada por um pedido dele próprio. Na opinião de Renan, a investigação do STF será realizada "sem partidarismos" --o que, segundo ele, não está acontecendo no Senado.

Ao contrário do primeiro discurso em que se defendeu das denúncias, no início de junho, Renan preferiu fazer o discurso da tribuna da Casa --e não da cadeira de presidente do Senado.

Na ocasião, Renan foi criticado por ter se mantido no comando da Casa ao tratar de questões particulares. Desta vez, para evitar novas reclamações de senadores, Renan se dirigiu ao púlpito localizado na tribuna do Senado para apresentar sua versão sobre as novas denúncias.

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