Irmão de Renan é investigado em Murici por suposta falsificação de documentos
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha
O Ministério Público de Alagoas irá investigar o ex-prefeito de Murici (AL) Remi Calheiros, irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta falsificação de documento.
O promotor de Murici, Napoleão Franco, instaurou inquérito para apurar se notas fiscais apresentadas pela prefeitura para justificar pagamentos de combustíveis em 2004 são verdadeiras. Remi Calheiros governou a cidade de 1997 a 2004.
Segundo o promotor, o dono de um posto de combustíveis afirma que são falsas as notas fiscais que foram apresentadas pela administração municipal em ação de cobrança feita por ele contra a prefeitura.
"Os documentos serão periciados. O inquérito civil é que vai dar respaldo para investigar o caso", disse Franco.
Remi Calheiros disse que ainda não foi notificado sobre o inquérito e afirmou que "certamente" as notas não são falsas. O promotor disse que entrará com ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito apenas se a falsificação for comprovada.
Remi antecedeu ao sobrinho Renan Calheiros Filho (PMDB), filho do presidente do Senado, na Prefeitura de Murici (48 km de Maceió), município sede do clã Calheiros. Foi na gestão de Remi que a prefeitura doou um terreno para que o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB), outro irmão de Renan, instalasse a fábrica de sucos e refrigerantes Conny.
A venda da Conny para a Schincariol, em maio de 2006, está no centro de uma representação do PSOL contra Renan ao Conselho de Ética do Senado. O partido acusa o presidente do Senado de ter beneficiado a Schincariol após a compra da fábrica por valores supostamente acima do mercado. A Schincariol disse, por meio de nota, que a compra da fábrica foi realizada dentro da lei e que faz parte de seu plano de expansão.
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