Para relator, reunir acusações contra Renan poderá atrasar investigações
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), relator do processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, defendeu nesta quarta-feira a abertura de investigações separadas para a análise de novas denúncias contra o peemedebista.
Na opinião de Casagrande, reunir todas as acusações no mesmo processo poderá atrasar as investigações que já tiveram início no conselho --referentes à denúncia de que o senador teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso.
"Se incorporarmos outra investigação teremos que esperar mais dois ou três meses, significa que teremos no conselho que estabelecer formas, metodologia separadas para não jogar todos os processos para o final do ano", afirmou.
Além de ter supostamente usado a empreiteira Mendes Júnior para despesas particulares, Renan é acusado de ter utilizado "laranjas" para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas. O DEM e o PSDB protocolaram ontem representação na Mesa Diretora do Senado para que o Conselho de Ética investigue essa acusação.
Outra representação, protocolada pelo PSOL, também pede que o conselho investigue a denúncia de que o senador teria atuado como lobista junto ao INSS para beneficiar a cervejaria Schincariol depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), a preços acima do mercado.
Na opinião de Casagrande, a denúncia que liga Renan à empresa Schincariol deveria ser investigada pela Câmara, e não pelo Senado Federal --uma vez que Olavo Calheiros é deputado. "Essa representação não tem a ver com o Senado, mas com a Câmara, já que envolve um deputado", afirmou.
Bate-boca
Casagrande criticou o bate-boca entre Renan e o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), que ocorreu no plenário da Casa nesta terça-feira.
Depois de Agripino afirmar que o partido vai obstruir as votações no Senado enquanto Renan estiver na presidência, o peemedebista insinuou que o democrata estaria envolvido em irregularidades --e não agüentaria a pressão caso estivesse em seu lugar.
Agripino rebateu Renan e acusou o presidente do Senado de estar levando para um embate pessoal uma questão que é da Casa Legislativa.
Para Casagrande, se Renan tem denúncias a fazer contra senadores deve torná-las públicas. "O único produto desse bate-boca é o desgaste do Senado. É ruim para os dois senadores e, principalmente, para a instituição. Se o presidente tem alguma acusação, deve formalizar. Tem que fazer a denúncia para não ficar no bate-boca", criticou o relator.
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