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Brasil
09/08/2007 - 12h59

Corregedoria do Senado vai apurar novas denúncias contra Renan

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), vai abrir investigação para apurar a denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria usado "laranjas" para a compra de rádios e de um jornal em Alagoas. Tuma também quer apurar denúncia publicada pela Folha de que Renan teria assinado decreto legislativo para uma nova concessão de rádio à empresa JR Comunicação, que, segundo a revista "Veja" desta semana, pertence ao próprio senador, por intermédio de "laranjas".

Tuma afirmou que pediu ao Ministério das Comunicações cópias dos processos das concessões concedidas pelo presidente do Senado. "Estou pedindo as cópias para analisar porque é uma denúncia. Temos que fazer uma apuração independentemente de qualquer outra decisão para saber realmente se tem algum documento que comprove indicativos de qualquer tipo de provas", afirmou.

O corregedor admitiu que a investigação é "complicada", uma vez que Renan seria uma espécie de sócio-oculto das empresas. Tuma disse estar disposto a convocar os diretores das rádios que seriam os supostos "laranjas" do presidente do Senado. Mas afirmou que, apesar dos indícios serem graves, é cedo para prejulgar o peemedebista. "Para mim é grave pelos indícios. Não digo que chegue ao resultado da denúncia feita, pode ser que tenha algum emaranhado no meio e que haja distorções. Tem que ser apurado", afirmou.

Tuma disse estar disposto a convocar os sócios das rádios, que teriam sido utilizados como "laranjas", para explicarem as denúncias. "Você pode chegar a questionar as pessoas que são da diretoria apresentada na empresa quando ela foi autorizada. Houve troca [de sócios]. Pelo menos tem o filho do presidente Renan. Posso convocar, não tenho dúvidas."

O corregedor disse que, ao final das investigações, encaminhará seu relatório ao Conselho de Ética do Senado para auxiliar na apuração das denúncias. O DEM e o PSDB já protocolaram representação para que Renan seja investigado pela denúncia do uso de "laranjas" na compra das rádios.

Denúncia

O decreto assinado por Renan autoriza a União a assinar contrato de concessão de uma radio FM, na cidade de Joaquim Gomes (Alagoas), com a JR Radiodifusão. A concessão é pelo prazo de dez anos, renováveis, e foi adquirida pela empresa em licitação pública do Ministério das Comunicações. A concorrência foi aberta em 2001, e a empresa venceu com a proposta de pagamento de R$ 222.121.

Pelo edital, a JR Radiodifusão tem até 60 dias, a contar da publicação do decreto legislativo no "Diário Oficial" para pagar metade do valor à União e assinar o contrato de concessão da rádio com o Ministério das Comunicações.

A empreitada de Renan nas comunicações, de acordo com a revista "Veja", começou em 1998 numa parceria com o empresário João Lyra, na compra do grupo "O Jornal", que detinha uma concessão de rádio. O negócio teria sido fechado em R$ 2,6 milhões (R$ 1,3 milhão para cada um), e Lyra teria emprestado R$ 700 mil ao senador. Os pagamentos a Lyra teriam sido feitos em dinheiro, às vezes em dólar.

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