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Brasil
09/08/2007 - 17h52

Renan diz que enviou documentos ao Conselho de Ética sobre Schincariol

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje que encaminhou ao Conselho de Ética da Casa documento da Schincariol que comprovaria sua inocência na denúncia de que teria beneficiado a cervejaria junto ao INSS. Renan afirmou que, no documento, a empresa desmente reportagem publicada pela revista "Veja" que acusa o senador de ter atuado como espécie de "lobista" da Schincariol.

Renan nega que tenha procurado o INSS para reverter uma dívida de R$ 100 milhões da cervejaria depois que a empresa comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por R$ 27 milhões --preço considerado acima da média do mercado. O valor da compra, segundo o senador, também não está de acordo com a realidade.

"O documento que enviei ao Conselho de Ética da empresa Schincariol desmente a mentira publicada pela revista "Veja" de que eu tenha interferido na transação de compra de uma fábrica no Nordeste. O valor foi inflado pela revista", afirmou o senador sem revelar, no entanto, por quanto a fábrica teria sido adquirida.

Renan leu um trecho da nota na qual a empresa afirma estar em dia com o governo federal, sem débitos junto à União, ao Estado de Alagoas ou ao município de Murici --onde está localizada a fábrica de Olavo Calheiros. Ao negar o seu débito, a empresa afirma na nota que "outras tantas empresas" mantém dívidas junto ao INSS.

Inocência

Renan reiterou ser inocente das denúncias que o ligam à Schincariol e às relacionadas ao uso de supostas notas frias para justificar a venda de gado em Alagoas. O senador disse que encaminhou hoje à Polícia Federal cópias dos primeiros lotes de cheques depositados em sua conta bancária em Alagoas que comprovariam os negócios agropecuários.

O senador apresentou os documentos na tentativa de comprovar ter renda suficiente para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento. Renan é acusado de ter recorrido à empreiteira Mendes Júnior para obter recursos que teriam sido utilizados no pagamento da pensão.

Na sua estratégia de manter o diálogo aberto com os senadores, caso o plenário da Casa tenha que julgá-lo por quebra de decoro, Renan fez um apelo aos parlamentares para que acreditem em suas palavras.

"Reitero que os senadores podem contar com a minha absoluta integral correção. Os senhores virão que minha defesa está integralmente amparada em provas. Nunca serei algoz de ninguém. Prefiro ser vítima a ser autor de injustiça", disse.

Renan afirmou que vem mantendo "diálogo fácil" com todos os senadores, independentemente de partidos políticos. "Vou fazer o possível para que esse diálogo se mantenha alto", afirmou.

Esta semana, Renan trocou farpas no plenário com o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN). A Folha Online apurou que, depois do bate-boca, Renan decidiu manter o tom mais ameno para evitar que novos senadores passem a apoiar o seu afastamento da presidência enquanto estiver envolvido nas acusações.

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