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Brasil
11/08/2007 - 09h42

Justiça investiga frigorífico do caso Renan

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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

A Justiça de Alagoas determinou a quebra do sigilo fiscal, tributário e bancário de seis abatedouros de gado do Estado, entre eles o Mafrial, que foi citado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como intermediário da venda de gado de suas fazendas.

O procurador-geral do Estado, Mário Jorge Uchôa, disse que a quebra dos sigilos foi pedida depois que a fiscalização da Secretaria da Fazenda encontrou indícios de irregularidades em empresas de comercialização de carne no Estado.

"Pelas notícias divulgadas nacionalmente, o governo do Estado mandou levantar como estava o comércio de bois. Foi constatada uma forte suspeita de que algumas empresas estavam sendo utilizadas para determinadas operações", disse Uchôa. Segundo o procurador-geral, a Secretaria da Fazenda ainda não tem detalhes dessas operações irregulares.

Ontem, a secretaria não comentou o pedido de quebra dos sigilos. A secretária da Fazenda de Alagoas, Fernanda Vilela, é irmã do governador Teotonio Vilela (PSDB), aliado de Renan.

Reportagens mostraram que açougues inicialmente apontados por Renan como compradores do gado de suas fazendas não existiam ou atuavam de forma precária. Em uma nova versão, o senador disse que o Mafrial intermediava a compra do gado de suas propriedades.

O STF (Supremo Tribunal Federal) e o Conselho de Ética do Senado investigam a origem do dinheiro usado por Renan para pagar uma pensão mensal de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, mãe de sua filha.

Há suspeita de que a pensão tenha sido paga por um lobista de uma construtora. Renan justificou seus rendimentos com recibos da venda de gado. Os documentos, analisados pela Polícia Federal a pedido do Senado, revelam inconsistências da defesa de Renan.

A quebra dos sigilos abrange os últimos cinco anos e foi dada pela juíza Ester Manso, da 16ª Vara da Fazenda de Maceió.

O material não foi analisado, mas o diretor de fiscalização a estabelecimentos da Secretaria da Fazenda, Marcelo Machado, disse que parte do setor atua na informalidade e empresas sem registro atuam como intermediárias na produção de carne.

 

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