Corregedor do Senado vai convidar usineiro para explicar denúncia sobre Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), vai convidar esta semana o usineiro João Lyra a prestar depoimento sobre a denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) usou laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. Conforme a denúncia publicada pela revista "Veja", o senador firmou uma sociedade oculta com Lyra para comprar o grupo JR Radiodifusão.
Como a corregedoria não tem poderes de convocação, Lyra será convidado a prestar depoimento. Segundo assessores de Tuma, a data será marcada de acordo com a disponibilidade do usineiro, mas deve ocorrer ainda esta semana, uma vez que o corregedor tem pressa para apurar as denúncias.
Em entrevista à revista "Veja", Lyra disse que Renan investiu R$ 1,3 milhão no negócio, com pagamentos feitos em dinheiro vivo, e confirmou que os dois usaram laranjas como fachada para a sociedade oculta.
Segundo o usineiro, Renan não explicou os motivos que o levaram a permanecer como anônimo na compra do grupo de comunicação. "Ele me disse que não tinha como aparecer publicamente à frente do negócio, mas não explicou as razões. Por isso, pediu para colocarmos tudo em nome de laranjas. Eu topei", afirmou o usineiro à revista.
Representação
O PSDB e o DEM ingressaram com representação contra Renan na Mesa Diretora do Senado para que o Conselho de Ética da Casa investigue a denúncia. A Mesa ainda não encaminhou o pedido ao conselho, o que deve ocorrer esta semana. Se for enviada ao conselho, será a terceira investigação sobre Renan desde que as primeiras acusações contra o senador foram reveladas.
O peemedebista já responde a processo sobre a acusação de que teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.
O conselho também decidiu abrir investigação para apurar denúncia de que Renan teria procurado o INSS para reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol em troca da empresa ter comprado, a preço acima do mercado, uma fábrica de seu irmão Olavo Calheiros (PMDB-AL), em Murici (AL).
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