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Brasil
14/08/2007 - 18h06

Renan nega ter ameaçado senadores para escapar de processo

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ocupou hoje a tribuna da Casa para negar especulações de que estaria ameaçando senadores, nos bastidores, para escapar de um eventual processo de cassação. Em um discurso de quase dez minutos, Renan se comparou a Sócrates (filósofo grego) ao afirmar que não será punido em um julgamento político de seus colegas --já que alega ser inocente em uma série de denúncias das quais é acusado.

"Não reviverei o processo de Sócrates, condenado na prisão de Atenas [Grécia] por um tribunal político que o julgou por ressentimentos. Derramarei por terra essa campanha de meus adversários", disse.

Ao comentar os rumores de que estaria chantageando senadores favoráveis ao seu afastamento da presidência do Senado --ao supostamente ameaçar divulgar eventuais irregularidades cometidas por seus colegas caso não mudassem de idéia-- Renan disse que "fuxicos irresponsáveis" não vão prejudicar sua relação com os parlamentares.

"Agora que a fragilidade das acusações começam a ficar evidente, buscam fomentar a cizânia, fomentar mexericos, me indispor com demais senadores. Não vão conseguir. Trata-se de prática antidemocrática e repulsiva", enfatizou.

Renan disse que só fez "amigos" no Sendo Federal, inclusive parlamentares que "não convergem em determinados momentos" com a sua opinião. O presidente do Senado se referiu, diretamente, aos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS), José Agripino (DEM-RN) e Jefferson Peres (PDT-AM) para rebater as especulações de eventuais chantagens nos bastidores.

"Não cometeria a indelicadeza de constranger ninguém. Não tenho alma ou pendor para inquisidor. (...) Tentar intimidar colegas é um indignidade sem tamanho. Para isso, ninguém, absolutamente ninguém vai contar comigo", disse Renan.

O senador chegou a bater boca com Agripino no plenário do Senado depois que o líder democrata ameaçou obstruir votações sob a sua presidência. Renan insinuou que, se Agripino estivesse em seu lugar, não "agüentaria por nem um semana" as acusações já que possui uma série de "dívidas e concessões".

Laranjas

O presidente do Senado voltou a negar a acusação de que teria usado laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas, em sociedade oculta com o usineiro João Lyra. Renan atribuiu mais uma vez a denúncia a disputas eleitorais de Alagoas, onde Lyra disputou no ano passado o governo estadual como adversário do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), que teve o apoio do peemedebista.

"Isso é promovido pela revista "Veja" [que divulgou a denúncia], com a cumplicidade de poucos adversários na política alagoana. Agora já conhecemos seus nomes, sobrenomes e faces. Um deles [Lyra], acusado de vários homicídios, processado por crimes de mando, responde a processos de sonegação fiscal. Nessa questão, é um réu confesso. São interesses políticos paroquiais embalados pelo rancor sem limites."

Renan disse que não é dono de nenhuma rádio, nem participou de sociedade oculta para a compra do grupo JR Radiodifusão. "Rádios, nunca possuí, formal ou informalmente, nem muito menos mantive sociedade secreta com qualquer pessoa. Meu adversário mostra sinais de fraqueza e de recuo", afirmou, ao comentar afirmação de Lyra que admite não ter documentos para comprovar a sociedade oculta com Renan.

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