Brasil
15/08/2007 - 17h33

Possível relator do caso Renan diz que vai propor arquivamento de denúncia

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Almeida Lima (PMDB-SE), cotado para assumir a relatoria do novo processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética da Casa, disse hoje que vai propor o arquivamento do caso se for escolhido para relatá-lo. Lima disse não ver indícios de que Renan tenha beneficiado a empresa Schincariol junto ao INSS para reverter dívida de R$ 100 milhões da empresa --em troca da compra de uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima do mercado.

"Eu assumindo, não farei outra coisa. Não tenho por que negar. Mas se ficar como relator, o PSOL terá que ser convidado para que diga quais são as provas contra o senador", disse Lima.

O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), ainda não definiu o relator para o caso Schincariol. Lima se colocou à disposição do parlamentar para assumir a função, uma vez que já é relator do primeiro processo contra Renan no conselho ao lado dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS) --referente à acusação de que Renan teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

Apesar de ser aliado de Renan, Quintanilha resiste ao nome de Lima para evitar especulações sobre uma eventual manobra favorável ao presidente do Senado no conselho. Até agora, no entanto, Quintanilha não recebeu respostas positivas de integrantes do conselho sondados para assumir a relatoria.

O processo contra Renan chegou ao conselho depois de representação do PSOL encaminhada à Mesa Diretora do Senado com o pedido de investigação. A representação foi elaborada com base em reportagem da revista "Veja", que acusa Renan de ter atuado como uma espécie de lobista da Schincariol no INSS.

Aliado

Um dos principais aliados de Renan no Senado, Lima disse que não teme ser criticado pela sua determinação em arquivar a denúncia. "Eu trabalho com muita folga espiritual, crio para mim um espaço confortável e não me preocupo com essas coisas. O processo político se dá no plenário. No conselho, não se pode ter esse tipo de julgamento", afirmou.

O senador disse que, até agora, também não vê indícios que comprometam o decoro parlamentar de Renan na primeira representação a que responde no conselho. "Eu desafio quem me mostre alguma prova [contrária a Renan]", disse.

O peemedebista afirmou estar disposto a assumir a relatoria de qualquer nova representação contra Renan que chegue ao conselho. Amanhã, a Mesa Diretora do Senado deve encaminhar um novo pedido de investigação para que o conselho apure denúncia de que Renan teria usado laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas.

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