Presidente do Conselho de Ética busca novo relator para caso Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), deixou para a próxima terça-feira a escolha do relator para o novo processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Quintanilha ainda não procurou integrantes do conselho para assumirem a função, mas admite nos bastidores que poderá enfrentar dificuldades na escolha de um nome.
O novo processo se refere à denúncia de que o presidente do Senado teria usado laranjas para a compra de um grupo de comunicação em Alagoas
O senador já avisou a interlocutores que, se não encontrar um senador disposto a relatar o caso, vai pedir aos líderes partidários que façam indicações. O novo processo contra Renan é considerado por alguns senadores como o mais complexo dos três para ser analisado.
A Folha Online apurou que, a exemplo da primeira representação contra Renan no conselho, integrantes do órgão avaliam que as denúncias do suposto uso de laranjas podem ter consistência. No primeiro processo, o senador é acusado de ter usado recursos da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
A segunda denúncia contra Renan, relacionada à empresa Schincariol, é considerada de menor importância por grande parte dos senadores. Por esse motivo, o PT indicou o senador João Pedro (PT-AM) para relatar o caso. O senador nem chegou a ser consultado para a função. Ele foi apenas informado pela líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que seria o relator do processo.
No segundo processo, Renan é acusado de ter beneficiado a Schincariol no INSS para reverter uma dívida de R$ 100 milhões da empresa, depois que a cervejaria comprou uma fábrica de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), por preço acima do mercado.
Integrantes do conselho avaliam que, como a denúncia é referente a Olavo Calheiros, o caso deveria ser analisado pela Câmara, e não pelo Senado. O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do primeiro processo contra Renan no conselho, disse que a denúncia deveria ser investigado pelos deputados.
Investigação
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), investiga as novas denúncias contra Renan em Alagoas relacionadas ao suposto uso de laranjas. O senador já ouviu o empresário João Lyra, apontado como sócio oculto de Renan na negociação para a compra de veículos de comunicação no Estado. Hoje, o corregedor colheu o depoimento de Luiz Carlos Barreto, que foi diretor-executivo de um dos jornais supostamente comprados por Renan.
Os dois confirmaram a denúncia de que Renan teria usado os laranjas na sociedade oculta. Lyra não apresentou documentos com a assinatura do senador, mas Tuma considerou a situação do peemedebista "delicada" depois dos dois depoimentos.
O corregedor promete prosseguir com as investigações até que o relator do caso, no Conselho de Ética, assuma a sua função. Tuma vai repassar os resultados ao relator para que dê prosseguimento às investigações.
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