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Brasil
17/08/2007 - 22h13

Manifestação do "Cansei" em Porto Alegre acaba em bate-boca

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SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre

Uma manifestação do "Cansei" no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, terminou em bate-boca, hoje, após uma mulher falar ao microfone que o movimento é "elitista" e que "a classe média só sabe reclamar". Cerca de 250 pessoas que aderiram ao "Cansei" na capital gaúcha, entre elas familiares das vítimas do acidente com o Airbus-A320 da TAM, realizaram ato de protesto por cerca de um hora, com críticas ao governo federal.

Depois de fazerem um minuto de silêncio e cantarem os hinos do Brasil e do Rio Grande do Sul, manifestantes se revezaram em um microfone ligado em um carro de som, na frente do portão de entrada do aeroporto.

Após cinco pessoas do movimento se pronunciarem, uma mulher, que aguardava numa pequena fila que se formou para falar, pegou o microfone e criticou o "Cansei", chamando-o de "elitista".

Vaiada e xingada pelos que estavam no protesto, ela foi retirada do local por seguranças do aeroporto.

Maria Auxiliadora Pinho de Carvalho, 49, industriária, estava embarcando para Salvador, sua cidade natal, quando viu a movimentação. Com o microfone em mãos, disse: "Este movimento é elitista e não vai ajudar em nada o Brasil. Todos os dias morrem pessoas nas estradas ou vítimas da violência. A classe média só sabe reclamar e não abre mão de seus benefícios e de seus direitos. Eu acho que tem que protestar, sim, mas tem que ser uma coisa inclusiva e tudo no Brasil é exclusivo. Brasileiro gosta de exclusividade, gosta de privilégio".

Os manifestantes reagiram dizendo que ela é beneficiada pelo programa Bolsa Família, do governo federal. "Não sou, ninguém da minha família trabalha no governo", afirmava ela, enquanto era levada em direção ao portão de embarque. Questionada pela Folha, ela não quis dizer em quem votou para presidente. "O voto é secreto."

O engenheiro civil Gabriel Barbosa, 28, reagiu dizendo que a classe média tem que despertar. "Nós trabalhamos para pagar os salários e as mordomias dos políticos. Não podemos mais ficar omissos", afirmou, ao puxar o coro: "Ei, ei, ei, eu também cansei".

Antes da confusão, em frente aos balcões de check-in, familiares e manifestantes seguravam cartazes, em silêncio.

Entre eles, estava Eliane Mello, 40, chef de cozinha, que perdeu o marido Andrei François Mello, 42, na tragédia. "Éramos só nos dois, formávamos uma família e nossa vida foi cortada. Meu marido foi assassinado", disse.

Ela veio de São Paulo para participar da manifestação. O corpo de seu marido é um dos cinco que ainda não foram identificados pelo IML. O casal se mudaria para a Índia no fim do mês.

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