CPI do Senado quer ouvir juíza supostamente enganada pela Anac
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A CPI do Apagão do Senado deverá convidar a juíza Cecília Marcondes, do TRF-3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, que disse ter recebido da diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Denise Abreu, um documento com falsas medidas de segurança para o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). A suspeita da juíza foi publicada hoje na Folha.
Com essas novas denúncias, o relator da CPI do Apagão no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que a manutenção de Denise Abreu na direção da agência fica insustentável.
"Ela [Denise Abreu] está ficando numa situação insustentável. Ela se contradiz a cada momento", afirmou o relator. Para ele, será fundamental para as investigações os dados que vão ser obtidos via quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico da diretora. A medida foi aprovada na sessão desta terça-feira da comissão.
Segundo Demóstenes, as suspeitas de que Denise Abreu apresentou documentos com falsas medidas para que a Justiça pudesse liberar as operações em de Congonhas levantam várias questões.
"Se não houve crime, houve má-fé", afirmou o relator. De acordo com ele, é essencial investigar os detalhes apresentados no documento fornecido à Justiça e exigir explicações de Denise Abreu.
A diretora da Anac vai ser ouvida pela CPI do Apagão na Câmara nesta quinta-feira. Além da quebra dos sigilos de Denise Abreu, a CPI do Senado também aprovou hoje o mesmo pedido para mais oito pessoas, entre elas a ex-diretora da Infraero Eleuza Terezinha, denunciada por uma série de irregularidades e que já prestou esclarecimentos à comissão.
Demóstenes disse que a iniciativa foi tomada para fazer um cruzamento de dados sobre as informações apresentadas pelos denunciados e as reais.
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