Relator diz que perícia é desfavorável a Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), relator do processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, considerou nesta quarta-feira desfavorável ao peemedebista o laudo da Polícia Federal nos documentos de Renan. Na opinião de Casagrande, o presidente da Casa não conseguiu comprovar que tinha renda suficiente para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso.
"Se analisarmos os problemas e dúvidas nos documentos, não tem como uma perícia dessa ser favorável ao senador Renan. Neste momento, ela é desfavorável ao senador. É importante agora que ele se manifeste", disse.
Casagrande espera que Renan preste depoimento ao plenário do conselho até o final desta semana para que os três relatores do caso possam apresentar a conclusão das investigações na semana que vem. "Qualquer dia que ele marcar é bom para nós. Até a segunda ou terça-feira nós concluímos o processo de investigação."
Ao contrário de Casagrande, o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), considerou a perícia um "alívio" para Renan. O senador disse que os documentos mostraram que o presidente do Senado não usou notas frias para comprovar seus rendimentos, além de provar que ele tinha recursos pagar pensão à Mônica Veloso.
"Está comprovada a autenticidade de quase todos os documentos, a confirmação de que ele tinha condições de pagar", afirmou. Raupp considerou importante que Renan esclareça detalhes não concluídos pela perícia em depoimento ao conselho.
Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), a perícia complica ainda mais a situação de Renan no Conselho de Ética. "A perícia precisava oferecer elementos claros que, na minha opinião, não traz. Os elementos de convicção não são favoráveis a Renan. No todo, a perícia mostra uma série de incongruências e não há elementos para absolvição na minha opinião", disse.
Cronograma
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), se reúne na tarde de hoje com os três relatores do processo contra Renan para fixar um cronograma de trabalho depois da chegada da perícia. Quintanilha divulgou o teor do laudo da Polícia Federal na noite desta terça-feira, depois de analisar o material por mais de duas horas.
Segundo o laudo da PF, os documentos de Renan não comprovam os rendimentos do peemedebista com a venda de cabeças de gado em Alagoas entre os anos de 2003 e 2006. Renan alega, em sua defesa, que os rendimentos eram suficientes para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento--, por isso não precisaria recorrer à empreiteira Mendes Júnior para obter os recursos.
O laudo também aponta que os documentos de Renan não foram suficientes para mostrar que ele tinha capacidade econômico-financeira para pagar pensão à jornalista.
A PF confirma que o dinheiro arrecadado pelo senador com a suposta venda de gado consta em suas movimentações bancárias e diz que as notas fiscais apresentadas por Renan para comprovar a venda de gado são legítimas.
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