Renan depõe nesta quinta e relatório será apresentado no dia 30
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), será ouvido nesta quinta-feira pelos três relatores do primeiro processo contra o peemedebista no Conselho de Ética da Casa. Renan vai apresentar sua versão sobre a perícia realizada pela Polícia Federal em seus documentos.
Renan é acusado de ter recebido dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.
Com o depoimento do senador, os relatores --Marisa Serrano (PSDB-MS), Almeida Lima (PMDB-SE) e Renato Casagrande (PSB-ES)-- prometem apresentar o relatório final sobre o caso no dia 30.
Os relatores aguardaram a chegada da perícia para definir um cronograma de trabalho. Depois de ouvirem Renan, os senadores vão se reunir para concluir o texto final.
O peemedebista vai depor acompanhado de um assistente de perícia, mas não definiu se após o depoimento vai se manifestar ao conjunto do plenário do conselho. "Se for de seu desejo e para asseguramos a sua ampla defesa, o presidente Renan poderá se manifestar no conselho após a votação do relatório", afirmou o presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO).
Os relatores vão cobrar de Renan explicações sobre detalhes do laudo que não ficaram claros. "Acho que ele vai ter de explicar vários pontos. O mais grave é a falta de recursos para o pagamento da pensão", disse Serrano.
O senador foi notificado hoje da chegada da perícia ao conselho e teria o prazo de cinco dias para apresentar sua defesa, mas resolveu antecipá-la para esta quinta. O PSOL, autor da representação que deu origem ao primeiro processo contra Renan no conselho, também terá o mesmo prazo para se manifestar sobre a perícia.
Laudo
O laudo da PF não conseguiu comprovar os rendimentos do peemedebista com a venda de cabeças de gado em Alagoas entre os anos de 2003 e 2006. Renan alega, em sua defesa, que os rendimentos eram suficientes para pagar pensão à jornalista.
Segundo a perícia, os documentos apresentados por Renan não foram suficientes para mostrar que ele tinha capacidade econômico-financeira para pagar pensão à jornalista.
"Faltam parâmetros que permitam afirmar se o representado [Renan] possuía ou não saldo para realizar os pagamentos. Ainda que seja especificada a data de pagamento e que sejam verificados recursos suficientes nas contas bancárias para os pagamentos, somente o exame dos documentos de suporte poderá comprovar os pagamentos à senhora Mônica Veloso", diz o laudo.
A PF confirma que o dinheiro arrecadado pelo senador com a suposta venda de gado consta em suas movimentações bancárias e afirma que os valores apurados nas negociações com o rebanho foram depositados em sua própria conta.
No laudo, a perícia responde aos 30 questionamentos feitos pelo Conselho de Ética sobre movimentações financeiras do senador e afirma que as notas fiscais apresentadas por Renan para comprovar a venda de gado são legítimas, mas a PF não conseguiu comprovar as operações de venda de gado que o senador alega ter realizado.
Os peritos do INC (Instituto Nacional de Criminalística) afirmam que "ideologicamente não se comprovou efetivamente o trânsito de animais". A PF diz, no laudo, não ser possível afirmar que a quantidade de gado que Renan alega ter vendido era efetivamente de propriedade do senador.
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