José Carlos Dias diz que Ministério Público não é dono da verdade
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ex-ministro da Justiça e advogado José Carlos Dias disse nesta quarta-feira que o Ministério Público Federal não é o dono da verdade. A crítica é sobre a denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra 40 envolvidos no esquema do mensalão. A denúncia começou a ser apreciada hoje pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
"O Ministério Público não é dono da verdade", afirmou o advogado, que defende dois dos denunciados: Kátia Rabello e José Roberto Salgado, ambos do Banco Rural.
Ao defender seus clientes, Dias criticou o teor da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que propõe a abertura de ação contra 40 envolvidos no esquema.
O advogado rejeitou ainda as acusações que pesam contra seus clientes e levantou dúvidas sobre os elementos que provocaram as denúncias --de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e evasão de divisas.
"Na hora de fazer a denúncia, o impacto de chamar de quadrilheiros é uma coisa que demonstra uma ousadia muito grande, e isso pega bem. É preciso pôr ordem", disse.
Ao defender Kátia Rabello e Salgado, o ex-ministro da Justiça ressaltou que uma instituição financeira não pode recusar clientes. "Ao banco não cabe recusar saques de clientes. A origem desses recursos [do Banco Rural] é extremamente limpa. O que [os clientes] vão fazer desse dinheiro não cabe ao banco perquirir", disse ele.
Ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, Dias ocupou a Justiça de 1999 a de 2000. Na sua defesa, apelou pela rejeição da denúncia contra os dirigentes do Banco Rural questionando a legitimidade das perícias realizadas pela Polícia Federal ao tratar do dinheiro repassado pela instituição, uma vez que em algumas das suas agências, políticos e intermediários faziam os saques em dinheiro.
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