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Brasil
22/08/2007 - 20h21

Divergência entre DEM e PSDB adia instalação da CPI das ONGs

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Os dois principais partidos de oposição do Senado Federal não conseguiram hoje chegar a um acordo para indicar um representante em comum para o comando da CPI das ONGs. A disputa entre o DEM e o PSDB pela relatoria da comissão acabou por adiar mais uma vez a instalação da CPI no Senado.

O DEM, autor do pedido de abertura da CPI, não abre mão de indicar um nome do partido para a relatoria da comissão --uma vez que o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) foi o autor do requerimento de instalação da CPI. O PSDB, por outro lado, reivindica que a senadora Lúcia Vânia (GO) ocupe a vaga destinada à oposição.

Heráclito disse estar disposto a abrir mão da relatoria desde que o senador Raimundo Colombo (DEM-SC) assuma a função. O PSDB, por outro lado, argumenta que o DEM já está com a relatoria da CPI do Apagão Aéreo no Senado --e desta vez deve abrir mão do cargo para os tucanos.

"Gostaríamos de chegar a um acordo que viabilizasse a senadora Lucia Vânia para uma das funções. Hoje não foi dia muito feliz, espero que a gente encontre o eixo do bom entendimento", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), argumentou que a tradição do Senado determina que o autor do pedido de instalação da CPI tem a prerrogativa de estar em seu comando --o que nesse caso caberia a Heráclito ou a um nome indicado pelo próprio senador.

"Nós estamos conversando com o PSDB, que não se aliará à base governista para contestar a indicação que aqueles que são da base de oposição vão fazer. Vamos conversar para definir o melhor encaminhamento tendo em vista o direito de Heráclito e a pretensão dos tucanos que é legítima, mas que será tratada no plano da racionalidade", afirmou o líder democrata.

Apesar de negarem publicamente um "racha", os dois partidos expuseram as divergências desde que o DEM indicou o deputado André de Paula (DEM-PE) como novo líder da minoria na Câmara.

O parlamentar substituiu Julio Redecker (PSDB-RS) no cargo, morto no acidente com o Airbus-A320 da TAM. Os tucanos reivindicavam ficar com a liderança, mas o DEM acabou indicando um nome do partido sem a ciência do PSDB.

Clima quente

Na Câmara, o clima entre as duas legendas esquentou nesta quarta-feira depois que o PSDB decidiu filiar o deputado Gervásio Silva (SC) em seus quadros. Como os democratas não querem reduzir o número de parlamentares na Casa, reagiram de forma dura à filiação do deputado pelo PSDB --especialmente porque alegam que não foram informados pelo partido.

Hoje, o DEM anunciou que o deputado Cássio Taniguchi (PR) --que ocupa uma secretaria no governo do Distrito Federal-- vai reassumir o mandato para impedir a redução no número da bancada. A medida foi uma reação à saída de Silva do partido, com o seu ingresso imediato no PSDB.

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