Ministros do STF reagem com bom humor à divulgação de conversas
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto reagiram com bom humor à divulgação de trechos de conversas --via internet-- de seus colegas. Britto negou que os ministros combinem voto. "Aqui [no STF] não existe arranjo. Não existe alinhamento. Ninguém se alinha com ninguém."
Segundo ele, os ministros "trocam impressões", mas não interferem nos votos de um e de outro. "Não adiantamos votos nenhum. É até uma maneira [a troca de mensagens eletrônicas] de descontrair um pouco. Às vezes a sessão é muito demorada e tensa. Mas ninguém adianta voto", afirmou. "Quando um juiz decide, ele decide solitariamente, sentadinho, no tribunal da sua própria consciência."
Marco Aurélio Mello também negou a possibilidade de ministros definirem posições em relação a seus votos a partir de conversas e eventuais acordos. "Eu, como juiz, não costumo discutir meus votos. É um problema de foro íntimo, eu assim procedo há 28 anos", disse ele, que faz parte do TSE e o STF.
Vazamento
Na divulgação dos trechos do diálogo ocorrido via internet, os ministros do STF Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia trocaram e-mails e opiniões sobre o julgamento que trata dos 40 denunciados de envolvimento com o mensalão.
De acordo com reportagem do jornal "O Globo" de hoje, eles trocaram mensagens pelo computador que revelam conversas sobre seus votos e um possível reflexo do julgamento na sucessão do ministro Sepúlveda Pertence, que se aposentou na semana passada. A troca de mensagens entre ministros foi fotografada.
Nas conversas, Lewandowski e Carmen Lúcia revelam uma posição crítica em relação a Marco Aurélio Mello, que é presidente da 1ª Turma do STF. Porém, o ministro reagiu com humor à revelação. "Quanto às referências à minha pessoa, eu penso que saí bem na fotografia. Qual o receio? É o cumprimento do dever. Sim, eu busco o cumprimento do dever como tenho demonstrado na minha vida profissional", disse ele.
Já o ministro Eros Grau reagiu de forma diferente de seus colegas. Ele criticou a divulgação dos trechos das mensagens. "Nunca vi isso antes nesse tribunal. Nem a imprensa entrar [no plenário] e interceptar correspondência nem esse tipo de diálogo [entre os ministros]", afirmou Grau.
Nesta quinta-feira, no início do julgamento, Lewandowski optou por não entrar na internet. Já o ministro relator Joaquim Barbosa deixou a tela do computador abaixada, impossibilitando a visão de curiosos.
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