Relatores dizem que Renan não convenceu durante depoimento
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não conseguiu convencer hoje os relatores do primeiro processo a que responde no Conselho de Ética do Senado da sua inocência na denúncia que teria usado dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) afirmaram que Renan não conseguiu comprovar --no depoimento que durou quase duas horas-- que efetivamente tinha recursos para pagar pensão à jornalista. O senador também deixou dúvidas sobre a sua evolução patrimonial nos últimos anos.
O único relator a se convencer com as explicações de Renan foi Almeida Lima (PMDB-SE), um dos principais aliados do peemedebista no Senado. Casagrande disse que Renan, apesar de ter considerado a perícia da Polícia Federal em seus documentos como "muito positiva", apresentou "pontos contraditórios" em seu depoimento.
"A contradição diz respeito à sua evolução patrimonial. Temos uma quantidade de recursos muito elevada. Ainda temos dúvidas" disse Casagrande.
Serrano afirmou que vai se debruçar sobre a defesa de Renan no final de semana porque, até agora, o senador não conseguiu provar sua inocência na denúncia. "Eu vou ter que olhar toda a sua evolução patrimonial. Pode ser até que ele me convença até o dia 30 [quando o relatório será votado no conselho], mas hoje não me convenceu", disse a relatora.
No depoimento aos relatores, que ocorreu a portas fechadas, Renan tentou contestar ponto a ponto as dúvidas levantadas pela perícia da PF em seus documentos. Segundo Casagrande, o senador está "muito satisfeito" com a perícia porque considera que o trabalho da Polícia Federal prova que tinha recursos suficientes para pagar pensão à jornalista.
Empréstimo
Sobre o empréstimo de R$ 178 mil tomado da locadora de carros Costa Dourada --de propriedade de seu primo Tito Uchoa-- Renan disse aos relatores que pediu os valores em empréstimo para cobrir "despesas pequenas" em Alagoas.
"Ele disse que a pessoa de quem contraiu o empréstimo tem a segurança de que vai receber o dinheiro. Em 2004 e 2005, quando pegou esse dinheiro, ele afirmou que era quando estava precisando", afirmou.
Renan disse, segundo Casagrande, que não declarou o valor do empréstimo ao fisco porque tinha como objetivo manter os recursos em sigilo --já que na época pagava de forma sigilosa a pensão à jornalista. O valor que Renan contraiu em empréstimo seria quitado com duas notas promissórias, de R$ 214,89 mil e R$ 294, 56 mil, que venceriam em 31 de março e 31 outubro de 2007, mas não há, segundo os peritos, pagamentos registrados na empresa. O senador disse aos relatores que vai pagar a prestação de outubro a Uchoa.
Documentos
No depoimento, Renan não apresentou novos documentos aos senadores. Apenas fez relatos técnicos sobre as dúvidas levantadas pela perícia da PF em sua movimentação financeira. "Não temos informações novas. Caberá a nós com as versões apresentada fazermos um confronto", disse Casagrande.
Os relatores reafirmaram que vão apresentar o relatório final sobre o caso dia 30. Casagrande disse que cada um dos três senadores vai apresentar, na semana que vem, relatórios separados com a sua visão sobre as denúncias.
"Cada um vai trazer suas conclusões e vamos ver se tem compatibilidade ou não", disse o senador.
Único relator a ser convencido por Renan de sua inocência no episódio, Lima disse que Renan conseguiu mostrar que tinha recursos para pagar pensão à jornalista sem recorrer à Mendes Júnior. "Eu não tenho elementos para cassar o senador Renan, e mais ainda agora", afirmou. Ao contrário de Casagrande e Serrano, Lima deixou claro que vai defender em seu relatório a absolvição de Renan.
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