Renan admite "incongruências", mas não quebra de decoro
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Depois de prestar depoimento a portas fechadas por quase duas horas ao Conselho de Ética do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou hoje que a perícia da Polícia Federal em seus documentos não aponta ilegalidades em sua movimentação financeira. Renan admitiu que a perícia apontou "incongruências" em seus documentos, mas nada que na opinião do senador configure quebra de decoro parlamentar.
"O laudo [da PF] fala em incongruências e inconsistências, mas isso não tem nada a ver com quebra de decoro. Há algumas inconsistências, mas não são nem coisas sanáveis, são puramente inconsistências técnicas", afirmou.
Ao contrário da interpretação de dois relatores do processo a que responde no conselho --senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES)-- Renan disse que realizou saques em suas contas maiores que os valores depositados à jornalista Mônica Veloso. Renan é acusado de usar dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão e aluguel à jornalista, com quem tem uma filha fora do casamento.
Os dois relatores não se convenceram sobre as movimentações financeiras de Renan. Casagrande e Serrano afirmaram que o peemedebista não conseguiu comprovar que efetivamente tinha recursos para pagar pensão à jornalista, além de ter deixado dúvidas sobre a justificativa para sua evolução patrimonial nos últimos anos.
O senador disse que, após a divulgação do laudo da PF, a certeza de sua absolvição no plenário do Senado é ainda maior. "Estou absolutamente convencido que, diante do laudo, isso vai prevalecer no plenário. Eu confio na isenção dos senadores. As questões técnicas têm que ser discutidas no Conselho de Ética", afirmou.
Renan não quis afirmar se vai prestar depoimento ao plenário do conselho, já que hoje falou a portas fechadas somente aos três relatores do primeiro processo a que responde no órgão. Além de Casagrande e Serrano, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) também relata o processo contra Renan no órgão.
O presidente do Senado disse que, além de confiar em um placar favorável no plenário da Casa, acredita que os integrantes do conselho também votarão favoravelmente à sua inocência. "Eu confio na isenção do Conselho de Ética e de todos os senadores desta Casa", afirmou.
Divisão
Aliado de Renan, Lima foi o único dos relatores a se convencer com as explicações do senador. O presidente do Senado não apresentou novos documentos aos parlamentares e, segundo Casagrande e Serrano, deixou dúvidas que não conseguiu esclarecer ao longo do depoimento.
Na semana que vem, os três relatores vão apresentar relatórios distintos sobre a denúncia contra Renan. Depois, vão juntar os textos em um único relatório a ser colocado em votação no plenário do Conselho de Ética --se houver convergência entre as posições. Do contrário, os relatores poderão apresentar textos separados para serem apreciados pelos parlamentares.
Lima já adiantou que vai pedir a absolvição de Renan. Casagrande e Serrano, no entanto, afirmaram que precisam de mais elementos para se convencerem de que o senador não recorreu à empreiteira para pagar pensão e aluguel à jornalista.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Relatores dizem que Renan não convenceu durante depoimento
- "Estou absolutamente tranqüilo", diz Renan antes de depor
- Fazendas de Renan têm contabilidade fictícia, afirma PF
- Renan se reúne com advogados antes de depor a relatores
- Fazendas de Renan têm contabilidade fictícia, afirma PF
- Filho de Renan comprou rádio após doação do pai senador
Especial

