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Brasil
24/08/2007 - 20h38

Carlos Ayres Britto diz que mensalão motiva a indignação

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Carlos Ayres Britto, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta sexta-feira que o "lado cidadão aflora" e motiva a indignação durante o julgamento das denúncias dos 40 acusados no mensalão. Segundo ele, a análise das acusações é "jurídica e técnica", mas todos os ministros são tomados pelo "civismo" ao tratar do assunto. Mas ele negou açodamento no julgamento.

"O lado cidadão também aflora nessas horas. Agora a análise que todo ministro tem de fazer, seja eminentemente jurídica e técnica e nós até dizemos dogmática", afirmou Carlos Ayres Britto. "Mas surge em cada um de nós o civismo e o compromisso com o país e vez por outra a sentimentalidade aflora um pouco e aí a gente revela um pouco mais de indignação. Mas o que cabe agora é fazer a análise técnica."

O ministro afirmou ainda que o julgamento é histórico e assim está sendo tratado pelo STF. "Este caso é histórico e emblemático e o país acompanha atentamente os debates, o relatório e cada um de nossos votos. Fiquem certos de que a Suprema Corte está atenta e já está fazendo justiça, não está agindo com açodamento nem com a precipitação, tudo está sendo medido", disse Carlos Ayres Britto.

Já o ministro Eros Grau, antes de proferir seu voto, fez um pequeno discurso. Nele, ressaltou que era contra "linchamentos consumados", numa referência às interpretações de que acusados no mensalão já são réus.

"Nunca me detive em indagações a respeito das causas dos linchamentos consumados em um como que tribunal erigido sobre a premissa de que todos são até prova em contrário. Talvez seja assim porque muitos sentem necessidade de punir a si próprios por serem o que são", disse Grau.

Grau também criticou a imprensa, que segundo ele atua cometendo "desvios" de interpretação. Mas afirmou ser favorável à ela que é indispensável "à plena realização da democracia".

O julgamento prossegue na próxima semana. A previsão é que acabe na terça-feira. As sessões passarão a ser realizadas apenas a partir das 14h. Não foi definido o horário de encerramento.

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