Relatores do caso Renan ameaçam boicotar votação secreta
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Os senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), relatores do primeiro processo contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, vão se recusar a apresentar o relatório sobre o caso, na sessão marcada para esta quinta-feira, se a votação do texto for secreta.
Renan é acusado de ter utilizado recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento.
| L.Marques/Folha Imagem |
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| Relatores do caso Renan ameaçam boicotar votação se sessão tiver voto secreto |
Casagrande argumenta que, se os relatores não puderem expor seus votos, teriam que modificar o texto --o que atrasaria a votação. "Só apresentaremos amanhã o relatório se for voto aberto. Se não, teríamos que elaborar o texto em outro formato sem a nossa manifestação conclusiva."
O parecer técnico elaborado pela consultoria jurídica do Senado recomendou voto secreto na sessão do conselho, sem que os relatores possam apresentar a conclusão do processo no texto --o que impediria Casagrande e Serrano de declararem oficialmente o voto pela cassação de Renan.
O senador Almeida Lima (PMDB-SE), terceiro relator do processo contra Renan, já adiantou que vai apresentar um texto separado recomendando a absolvição de Renan. Ele apóia o voto secreto no conselho, ao contrário dos outros dois relatores.
Casagrande disse que já elaborou recurso ao plenário do conselho caso o presidente do órgão, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), determine que a votação seja secreta. O relator calcula que, dos 15 integrantes do conselho, pelo menos 11 serão favoráveis à votação aberta. "Eu confio que amanhã a votação será aberta."
O parecer da consultoria jurídica foi solicitado por Quintanilha uma vez que o regimento interno do Senado não explica o formato de votação para processos de perda de mandatos no Conselho de Ética. Ele determina apenas que a votação deve ser secreta no plenário da Casa --por isso, técnicos interpretaram que a mesma regra deveria ser seguida no conselho.
Exoneração
O funcionário Marcos Santi, secretário-adjunto da Mesa Diretora do Senado, pediu exoneração do cargo depois que técnicos da consultoria jurídica divulgaram parecer favorável à votação secreta no relatório. Ele acusa Renan de encomendar o parecer em seu favor, além de influenciar técnicos da Casa ao longo do processo de investigação com manobras para ser absolvido.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), ouve Santi na tarde de hoje sobre o caso.
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