PF prende máfia do jogo do bicho em Pernambuco
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha
Ao menos 13 pessoas envolvidas com o jogo do bicho e a exploração de máquinas caça-níqueis em Pernambuco foram presas ontem pela Polícia Federal. Elas são suspeitas de sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, corrupção de policiais e contrabando.
Segundo as investigações da PF, o grupo faturava cerca de R$ 100 milhões por ano, mas declarava à Receita Federal apenas R$ 6 milhões. Juntos, os supostos crimes praticados geraram um prejuízo ao erário estimado em R$ 180 milhões.
Os presos eram ligados a dois dos maiores grupos que exploram a jogatina no Estado: o Monte Carlo's e o Sonho Real.
Do chefe do primeiro grupo, Carlos Alberto Ferreira da Silva, foram apreendidos 20 carros, duas lanchas, um jato particular e um helicóptero. Dez imóveis dele foram seqüestrados pela Justiça. Esses bens estão avaliados em cerca de R$ 50 milhões.
Ambos os grupos atuavam com diversas lojas pela cidade, com luzes de néon convidando os clientes. Ontem, nenhuma das lojas foi aberta.
Normalmente, as apostas do bicho são feitas eletronicamente e transmitidas pela internet por meio de redes sem fio. Dentro dos estabelecimentos, ficam as máquinas de caça-níquel e vídeo-pôquer.
Os resultados eram transmitidos por rádio e publicados nos jornais locais, além de poderem ser acessados pelos sites das empresas.
Havia até uma associação patronal das bancas de jogo, a Aval (Associação dos Vendedores Autônomos de Loterias).
Tradicionais, as empresas não funcionavam por meio de liminares ou de uma lei estadual, como em outros locais, e sim devido à tolerância das autoridades, segundo a PF.
Em maio, o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Manoel Carneiro, disse à Folha que não via ligação entre a atividade e o crime organizado. O setor diz empregar ao menos 10 mil pessoas no Estado.
Segundo as investigações que geraram a operação de ontem (intitulada Zebra), policiais militares e civis recebiam dinheiro para serem coniventes com as ilegalidades.
"A partir de agora, abre-se um leque muito grande para buscar outros agentes públicos envolvidos", disse Jorge Pontes, superintendente da PF.
A reportagem não conseguiu falar com os advogados dos presos ou com representantes dos grupos Monte Carlo's e Sonho Real.
Colaborou FÁBIO GUIBU, da Agência Folha, em Recife
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