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Brasil
30/08/2007 - 15h19

Ministros negam ter julgado mensalão com "faca no pescoço"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Os ministros Carlos Ayres Britto e Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negaram nesta quinta-feira que tenham julgado os 40 denunciados de envolvimento com a "faca no pescoço". A referência foi feita pelo ministro Ricardo Lewandowski, em conversa telefônica, registrada pela reportagem da Folha.

"Está para nascer quem coloque uma faca no meu pescoço para decidir, está perdendo tempo, não me senti acuado e muito menos com a faca no pescoço", disse Ayres Britto.

De forma semelhante reagiu Gilmar Mendes. "Poxa vida, o que é isso? [Nunca me senti com a faca no pescoço] nem agora nem em nenhum outro momento. Uma característica forte deste tribunal [STF] é essa: não ceder à pressão. É da tradição publicana".

No telefone

Em reportagem exclusiva desta quinta-feira de Vera Magalhães, do Painel (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL), informa que o ministro do STF Ricardo Lewandowski disse que a "imprensa acuou o Supremo" no julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.

"Todo mundo votou com a faca no pescoço", afirmou Lewandowski, segundo a reportagem da Folha. "A tendência era amaciar para o Dirceu."

O telefonema durou cerca de dez minutos e foi testemunhado pela Folha. Lewandowski jantava acompanhado no recém-inaugurado Expand Wine Store by Piantella, na Asa Sul, em Brasília.

Tanto Ayres Britto como Mendes negaram qualquer tipo de pressão. Segundo eles, o julgamento foi técnico.

"Foi uma pressão absolutamente normal. Todos os dias julgamos questões extremamente sensíveis do ponto de vista político e não estamos preocupados com a opinião dos senhores [jornalistas]", afirmou Mendes. "Ninguém foi acuado. Eu mesmo nunca me senti pressionado ou acuado", disse Ayres Britto.

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