João Paulo diz que entregaria mandato para evitar calvário da acusação
REGIANE SOARES
da Folha Online
O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), um dos 40 acusados de envolvimento com o mensalão, disse hoje que entregaria seu mandato para não passar por essa "tormenta", numa referência à denúncia aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) contra ele.
| Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem |
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| João Paulo diz que entregaria mandato para acabar com "calvário" da denúncia |
"Eu deixaria todos os meus mandatos, toda minha militância política para não ter tido nenhum minuto dessa tormenta, que é muito dura. Acabei de ser o deputado mais votado do PT. Se pudesse dar meu mandato para não passar por isso, eu daria", disse ele hoje.
João Paulo participa do 3º Congresso do PT, que acontece de hoje a domingo em São Paulo. Ele disse que a denúncia afetou não apenas sua vida política, mas também a pessoal.
O deputado afirmou que espera que o processo no STF termine rápido e com uma decisão favorável a ele, pois se julga inocente. "Espero que esse calvário termine rápido, pois a pior coisa para um homem é ser acusado por aquilo que não deve."
O parlamentar disse que o escândalo do mensalão não alterou o partido, mas a vida dos acusados.
"A decisão do STF não alterada nada [a vida do partido]. As pessoas que estão envolvidas nesse processo é que precisam de preparação, de uma defesa e se apresentarem perante o STF. O partido precisa fazer o congresso e definir uma nova base para os temas pautados e continuar a sua vida."
Ele foi denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A mulher dele, Marcia Regina Cunha, teria sacado da agência do Banco Rural em Brasília R$ 50 mil. Inicialmente, ele disse que a mulher havia ido à agência pagar uma conta de TV a cabo. Depois, mudou a versão e disse que o dinheiro ajudou na campanha do PT em Osasco.
Julgamento
O STF concluiu nesta semana o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os 40 envolvidos com o escândalo do mensalão --esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.
A Corte acatou a denúncia contra todos os acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Entre eles estão os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes), o empresário Marcos Valério, o deputado José Genoino (PT-SP), além do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias.
Os réus responderão por diversos crimes, como formação de quadrilha, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e corrupção ativa.
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