Brasil
31/08/2007 - 17h17

João Paulo diverge de Dirceu e descarta suspeição em julgamento

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REGIANE SOARES
da Folha Online

O deputado federal João Paulo (PT-SP) divergiu hoje de seu colega, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) sobre o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal), das denúncias contra os 40 acusados de envolvimento com o mensalão. Para João Paulo, o julgamento do STF não está sob suspeição, como disse ontem Dirceu.

"Acho que foi um desabafo de um ministro com personalidade e com opinião própria, que sofreu muito naquele momento, porque, de fato, houve uma pressão demasiada da imprensa", disse ele hoje no 3º Congresso do PT, em São Paulo.

Segundo o deputado, o Supremo analisou a denúncia com as informações que tinha no momento. Ele acredita, no entanto, que ao analisar o mérito, o STF vai absolver todos os 40 acusados. "Não há suspeição, não há suspeição da decisão do STF."

Dirceu teve um posicionamento contrário ao de João Paulo. "No mínimo, o julgamento está sob suspeição. Como acusado, preciso medir as palavras. Mas estou perplexo, estupefato e quase em pânico. Isso é impensável em qualquer país", disse o ex-ministro ontem.

Reportagem exclusiva de ontem de Vera Magalhães, do Painel (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL), informa que o ministro do STF Ricardo Lewandowski disse ao telefone que a "imprensa acuou o Supremo" no julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.

"Todo mundo votou com a faca no pescoço", disse Lewandowski, segundo a reportagem da Folha. "A tendência era amaciar para o Dirceu."

O telefonema durou cerca de dez minutos e foi inteiramente testemunhado pela Folha. Lewandowski jantava acompanhado no recém-inaugurado Expand Wine Store by Piantella, na Asa Sul, em Brasília.

Julgamento

O STF concluiu nesta semana o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os 40 envolvidos com o escândalo do mensalão --esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.

A Corte acatou a denúncia contra todos os acusados pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Entre eles estão os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes), o empresário Marcos Valério, o deputado José Genoino (PT-SP), além do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias.

Os réus responderão por diversos crimes, como formação de quadrilha, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e corrupção ativa.

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