Brasil
02/09/2007 - 14h53

Jobim nega ter discutido processo, mas admite que Renan pediu conselhos

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Nelson Jobim (Defesa) minimizou neste domingo o seu encontro ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quando teriam supostamente discutido detalhes sobre o processo a que o peemedebista responde por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Jobim negou, no entanto, ter discutido com Renan a tramitação do processo e um eventual recurso de aliados do peemedebista para que a votação do caso seja secreta no Conselho de Ética.

Jobim disse que se reuniu com Renan para levar "solidariedade e cortesia" uma vez que são colegas de partido, o PMDB. "O senador foi muito leal comigo quando houve a disputa no PMDB e eu não poderia deixar de fazer a visita", disse. "Não cabe ao Executivo e o presidente tem dito que não cabe a nós, do Executivo, fazer isso [interferir no processo]", completou.

O ministro deixou a casa de Renan, neste sábado, no carro do advogado do senador, Eduardo Ferrão --de quem foi sócio em um escritório de advocacia. No encontro, Jobim e Ferrão aconselharam Renan a divulgar nota oficial em que rebateu as novas acusações de que seria integrante de um esquema de lavagem e desvio de dinheiro público, além de pagamento de propina, envolvendo ministérios comandados pelo PMDB.

Jobim negou qualquer interferência de sua parte no processo contra Renan --mas admitiu que o peemedebista lhe pediu conselhos. "Não me cabe dar conselhos. Além disso, ele está muito bem assessorado por um ex-aluno meu [Ferrão]. Não há necessidade de conselhos. Ele sabe o que está fazendo", afirmou.

Integrantes do Conselho de Ética do Senado criticaram o encontro do ministro com o presidente do Senado, como afirma reportagem publicada hoje pela Folha. O senador Jefferson Peres (PDT-AM) considerou a reunião uma "promiscuidade", uma vez que a votação do processo contra Renan está marcada para a próxima quarta-feira no conselho.

Renúncia

Depois de participar de cerimônia de troca da bandeira na Praça dos Três Poderes neste domingo, em Brasília, Jobim também descartou a possibilidade de Renan renunciar ao mandato em meio ao processo por quebra de decoro parlamentar. O ministro disse, no entanto, que Renan defende que o processo termine "o mais rápido possível" porque está "cansado e ansioso".

O ministro disse temer que o prolongamento do processo contra Renan no Conselho de Ética prejudique os trabalhos do Senado Federal. "É preciso resolver logo esse problema, porque caso contrário nós prolongamos e prejudicamos o andamento dos trabalhos", disse.

Segundo Jobim, políticos têm "agonias" quando ocupam cargos públicos. "As agonias do senador são grandes, ou seja, a cada dia elas se renovam e se agravam", afirmou.

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