Aliado apresentará voto separado pela absolvição de Renan
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) vai apresentar voto em separado na reunião do Conselho de Ética desta quarta-feira para defender a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo a que responde por quebra de decoro parlamentar. Além de Salgado, o relatório do senador Almeida Lima (PMDB-SE) --que também defende a absolvição de Renan-- será apresentado ao conselho como um voto em separado.
O presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), colocará em votação o relatório dos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), que aponta oito razões para Renan perder o mandato. Na opinião de Salgado, o texto dos dois relatores possuem inconsistências que comprometem o seu conteúdo.
"Eu vejo uma série de coisas erradas naquele relatório. O meu relatório vai ser para mostrar os erros que existem no texto dos dois relatores. Se tivesse provas, eu votaria pela cassação do Renan. Mas me dêem provas porque até agora eu não vi", disse o peemedebista.
Assim como Lima, Salgado integra a chamada "tropa de choque" de Renan no Conselho de Ética do Senado. O senador nega o rótulo de "fiel aliado" do presidente do Senado, mas não esconde que se tornou um dos principais articuladores de Renan para evitar que o partido perca a presidência da Casa. "Nem um relatório para cassar o mandato do senador eles estão fazendo direito", disparou.
Votação
A reunião do Conselho de Ética para a votação do primeiro processo contra Renan está marcada para às 10h de quarta-feira. Os integrantes do conselho vão apreciar o relatório de Casagrande e Serrano, que já foi lido pelos relatores na semana passada, quando o órgão também definiu que a votação do texto será aberta.
Aliados de Renan defendem a votação secreta porque avaliam que, dessa maneira, o presidente do Senado tem chances de escapar da cassação. "Se for secreto, os senadores votarão sem a faca no pescoço, de acordo com as suas consciências", afirmou Salgado.
Se o relatório for aprovado, seguirá para análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. A comissão tem a tarefa de analisar se há irregularidades no processo. Se não encontrar problemas, o projeto de perda de mandato segue para votação do plenário do Senado, onde a Constituição Federal determina que os votos dos senadores devem ser secretos.
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