Renan defende voto secreto e diz que acusações são mentirosas
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Na véspera da votação do relatório que pede a cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) discursou hoje por mais de meia hora no plenário da Casa para rebater todas as denúncias de que é acusado. O presidente do Senado disse que, depois de cem dias como alvo de acusações, ninguém conseguiu comprovar nenhuma das "mentiras" de que é vítima.
"Eu só listei dez das mentiras que foram, uma a uma, demolidas com documentos. Repito: todas foram demolidas com documentos que eu apresentei. Até hoje, não apresentaram um só documento contra mim. O que restou de tantas acusações? Absolutamente, nada. As acusações viraram pó", enfatizou.
Voto secreto
Renan também defendeu a votação secreta no conselho, apesar de afirmar que não vai interferir na decisão dos senadores, que na semana passada aprovaram o voto aberto no relatório contra o peemedebista.
"Como presidente da instituição não posso deixar de registrar que o Direito Constitucional está sendo esmagado em nome da continuidade do linchamento. [Com o voto aberto], abre-se uma chaga incicatrizável na parte mais sensível do ordenamento jurídico. Por essa ferida, por essa lesão profunda, eu não quero ser cúmplice nem coadjuvante."
O presidente do Senado disse que não vai recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o voto seja secreto no conselho. "Seria uma indelicadeza do presidente do Senado recorrer ao Supremo. Comigo, eu quero que a verdade ocorra de outra forma", afirmou.
Renan disse que a votação aberta no Conselho de Ética vai se tornar um "grave precedente, um erro jurídico e um açodado atropelo perpetrado pela conveniência política de alguns poucos". Mas ressaltou que, apesar de discordar da decisão do conselho, não vai usar das prerrogativas do cargo para revertê-la. "Não preciso lançar mão de expedientes condenáveis nem submeter ao prestígio do cargo para confirmar a minha inocência", enfatizou.
O senador também desautorizou assessores ou aliados a veicularem listas com a esperada contabilidade de votos no Conselho de Ética. "Eu gostaria de desautorizar publicamente qualquer veiculação de listas, de nomes, que tenham esta ou aquela tendência de voto. Isso é uma tentativa criminosa de desvendar o voto, que é secreto. Não estão falando em meu nome e nenhum assessor tem conhecimento deste assunto", disse.
Nova denúncia
Sobre a mais recente denúncia de envolvimento em um esquema de desvio e lavagem de dinheiro, Renan disse que ela é falsa. "De tão débil, eu optaria por desprezá-la. Mas por respeito ao Senado, não posso deixar de dar uma satisfação. Trata-se de mais uma mentira, uma briga familiar que ganhou generosas páginas porque citaram meu nome lembrando matérias antigas", afirmou.
Segundo Renan, o fato é "inteiramente falso" e não teve o seu valor acolhido pela Justiça. "Não vou mais compactuar para que essa esquizofrenia se transforme em demência", afirmou. Renan foi acusado pelo advogado Bruno Miranda Lins, ex-marido de uma de suas funcionárias, de integrar o esquema de desvio de dinheiro.
O advogado argumenta que seu ex-sogro, o lobista Luiz Garcia Coelho, seria o operador do esquema para distribuir os recursos a políticos do PMDB --entre eles, o próprio Renan. A funcionária de Renan, Flavia Garcia, nega as acusações do ex-marido e afirma que Lins tem o único objetivo de conquistar vantagens financeiras no processo de separação litigiosa.
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