Lula diz que Brasil exige cuidados e que país precisa ficar "alerta"
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Cabo de Santo Agostinho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, no complexo portuário de Suape, em Cabo de Santo Agostinho (a 35 km de Recife, PE), que o Brasil "ainda exige cuidados" e que o governo precisa ficar "alerta" porque não sabe o tamanho da crise que atinge os EUA.
"Não queremos aqui dizer que já estamos livres, porque não sabemos o tamanho da crise", afirmou Lula, em discurso. "Não queremos saber o que vai acontecer, mas precisamos ficar alertas, porque o Brasil ainda exige cuidados", declarou. "Nós não podemos, porque chegamos à situação de equilíbrio, achar que está tudo resolvido e começar a gastança."
Segundo Lula, o "crescimento sustentável" e a atual "política de consumo" nacional colocam o Brasil "em condições da China". "Pela primeira vez estamos construindo, de forma sólida, o chamado mercado de massas", disse. "Não é o mercado externo que está puxando o crescimento da economia brasileira, é o mercado interno", declarou. "E está puxando porque tem política de transferência de renda, porque nesses sete meses criamos um milhão e duzentos mil empregos com carteira assinada", afirmou.
No porto de Suape, onde inaugurou um cais e iniciou as obras de construção de uma refinaria da Petrobrás, o presidente voltou a utilizar metáforas futebolísticas e sua religiosidade para atacar opositores.
"Muitas vezes na política o cidadão que deixa o campo para entrar outro não quer que o outro marque gol, quer que o outro perca", disse. "As pessoas ficam torcendo para a desgraça ser maior. A mim não pega porque creio em Deus", afirmou. "Não adianta nêgo ficar tentando rogar praga que não pega, não pega porque eu tenho a minha crença definida."
Acompanhado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e do ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner, Lula entrou na cabine de uma retroescavadeira.
Em Aracaju (SE), onde participou da inauguração da plataforma de Piranema, Lula disse que "não é possível" que "nessa imensidão de água que tem no Nordeste não tenha petróleo". "Embaixo da água os políticos não meteram a mão ainda, então tem de ter petróleo."
Em discurso, Lula também falou sobre as eleições de 2010. "Estou vivendo um dos momentos mais extraordinários de minha vida como ser humano, talvez porque eu não tenha que disputar a eleição em 2010. Então, é uma carga que saiu das minhas costas extraordinária."
Antes da chegada de Lula ao teatro Tobias Barreto, cerca de 50 pessoas fizeram uma manifestação. Com faixas e cartazes, os manifestantes --moradores na periferia de Aracaju-- cobraram a construção de casas populares. O presidente, que entrou por uma das laterais do teatro, não viu o ato.
Colaborou LUIZ FRANCISCO, da Agência Folha, em Aracaju
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