Brasil
05/09/2007 - 11h43

Salgado apresenta voto em separado pela absolvição de Renan

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou nesta quarta-feira voto em separado ao Conselho de Ética da Casa para defender a absolvição do peemedebista. Ele disse que o relatório dos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) --que recomenda a cassação de Renan-- possui "diversos equívocos" que prejudicam o seu conteúdo.

Na opinião de Salgado, não há nenhuma prova que demonstre a utilização de recursos da empreiteira Mendes Júnior pelo senador Renan para o pagamento de despesas particulares.

Salgado chegou a insinuar, no voto em separado, que Serrano e Casagrande podem ter quebrado o decoro parlamentar se ficar configurado que mentiram nas conclusões tiradas no processo contra Renan. "Afirma-se que o representado mentiu. Quem está mentindo. Se mentir ao conselho é quebrar o decoro, indago-me se a quebra de decoro não partiu da própria relatoria neste caso."

O processo em análise hoje pelo conselho investiga a denúncia de que o presidente do Senado teria usado recursos da empreiteira para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.

"Não restou comprovado em qualquer parte desse procedimento que a construtora Mendes Júnior tinha tirado proveito de um representante seu ser amigo do representado. Nada nos autos afirma que foi realizado qualquer pagamento pela Mendes Júnior. Isso nem de longe constitui quebra de decoro parlamentar", defendeu Salgado.

No voto em separado --de 34 páginas-- o senador argumenta que Renan tem recursos suficientes para arcar com o pagamento da pensão à jornalista sem a necessidade de recorrer à empreiteira. "Da movimentação bancária do senador, saíram recursos que justificam com folga recursos para o pagamento de despesas à senhora Mônica Veloso", disse.

O peemedebista também rebateu acusações de que Renan não teria movimentação financeira suficiente em decorrência da venda de gado, capaz de incrementar o seu orçamento. "Vamos ao famoso rebanho. Não se pode concluir que não existia rebanho suficiente na propriedade do representado. A vacinação obrigatória foi realizada", afirmou.

O senador encerra o voto em separado citando a "oração dos moços", de Rui Barbosa --na qual o escritor defende que os julgados não tomem o réu com "severidades inoportunas, descabidas ou indecentes".

O peemedebista fez um apelo pela absolvição de Renan. "Deveremos julgar e o ato de julgar, por sua gravidade, por sua seriedade, é incompatível com a influência das paixões, dos interesses políticos partidários e mesmo dos sentimentos menores, tão presentes em nossa condição humana."

Após a leitura do voto em separado de Salgado, o plenário do Conselho de Ética vai dar início à discussão do relatório de Serrano e Casagrande. Somente depois da discussão --em que os senadores que desejarem poderão discursar sobre o mérito do texto-- o conselho vai dar início ao processo de votação do relatório contrário a Renan.

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