Cabral diz que não vai ficar em palanque contra o presidente Lula
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou nesta quarta-feira que não há hipótese de ele subir em um palanque adversário ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O recado é uma mensagem direta aos virtuais candidatos à sucessão na prefeitura do Rio, que buscam uma aliança do PMDB com o DEM, partido que faz oposição nacional ao presidente.
"Não vou ficar em palanque contra o presidente Lula. Essa é uma questão absolutamente clara", afirmou o governador, que foi a Brasília para participar da cerimônia de posse do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Alberto Menezes Direito. "A aliança com o presidente Lula não é apenas administrativa, é política. Portanto, isso é uma posição [minha]. Não me levarão para outra posição", reiterou ele.
| Rafael Andrade/Folha Imagem |
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| Sérgio Cabral diz que aliança com presidente Lula não é apenas administrativa, é política |
No último domingo, o presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani (PMDB), e o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ) --filho do prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM)-- se reuniram para discutir sucessão municipal. Além da Prefeitura do Rio, estão em jogo as prefeituras da Baixada Fluminense.
O desabafo de Cabral ocorreu ao ser questionado sobre a sucessão presidencial. Integrante do PMDB, como o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o governador foi indagado sobre a possibilidade de seu colega peemedebista ser candidato à Presidência da República nas próximas eleições.
Porém, Cabral evitou responder a pergunta, optando por falar sobre a sucessão municipal no Rio. "Estão fazendo alianças [no Rio]. Já estou enfrentando problemas demais", disse. Em seguida, ele afirmou: "Sou parceiro do presidente Lula. Evidentemente que há enfrentamentos políticos e administrativos com elementos do governo, como isso já aconteceu, mas do ponto de vista da sustentação política, sou Lula".
Cabral e Lula tem uma relação próxima. Ambos se elogiam com freqüência. O presidente transformou a segurança dos Jogos Pan-Americanos em símbolo nacional, destacando a colaboração do governo estadual em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, ligada ao Ministério da Justiça.
Antes mesmo do segundo turno das eleições no ano passado, Lula telefonou para Cabral prestando seu apoio ao governador do Rio. Os dois se encontraram em uma grande cerimônia no Palácio da Alvorada. Foi Cabral um dos responsáveis pelo apoio à indicação do ministro José Gomes Temporão para a Saúde.
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